terça-feira, 28 de setembro de 2010

Anedota.

Estava assistindo o debate entre os candidatos ao governo do estado de São Paulo com meu pai, cheguei há poucas horas em São Paulo. Ficamos aqui comentando questões políticas e bobeiras desse gênero; lhe mostrei algumas fotos de coisas que rolam pela faculdade, como túmulos e girafas, e em certo momento, nem sei o que diziamos, gelei no sofá:
-Oh gordo - lhe falei me levantando - esse telefone aqui faz interurbano né?
-Faz... - cara de dúvida.
-Pô, preciso ligar pro Pedro - e já peguei o telefone.
-Agora? - semblante de desconfiança!
-É, esqueci meu título de eleitor.
Levando em conta que na minha cabeça vim até São Paulo para:
1)show do dinossauro junior.
2)consulta médica.
3)jogo do corintia.
4)eleição.
Tenho certeza de que eu só me lembraria da ausência do documento entre o item 3 e o 4, o que ocorreria na manhã de domingo, mais precisamente ao meio dia.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

27.09/15:45.

Encostei a bicicleta na frente do Pão de Açúcar e entrei para comprar uma coca cola de um litro, para tomar no final de tarde e noite que já se anunciam como longos para hoje. Raivoso, tentei imaginar algo em que pudesse descontar a minha ira, e então lembrei do torrone: doce, levemente duro, que dói a mandíbula de tanto mastigar: desconto físico de raivinha metafísica; bosta.

Entrei sem tirar os fones de ouvido, estava ouvindo o On Tour de 2006, do Yann Tiersen. Andei pra lá e pra cá e não achei o raio do torrone. Decidi tirar os fones dos ouvidos para procurar um funcionário da loja, encontrá-lo e ter a resposta de onde eles escondem o torrone lá.

Peguei a maldita composição branca com amendoim e sai em busca da coca cola, foi então que, paralelo às margarinas, manteigas e requeijões resolvi voltar os fones aos ouvidos, e o que se tocava neles eram os últimos versos de Mary.

Tal qual Amelié, no momento em que Nino sai do café pela primeira vez, desabei; desagüei.

Peguei a coca cola morna na geladeira quente, e, na fila do caixa, ainda desabado, cheguei à seguinte afirmativa:

Porra, de que adianta pegar uma pá de coisas para fazer, para encher a cabeça e me esquecer das caixotagens, se deixo de fazê-las em nome dos desconfortos/desesperos das caixotagens? Larga mão de ser burro Gabriel! Parece que você só sabe mandar, com coerência, caixa eletrônico tomar no cu.

Sai do mercado e, na frente dele, ao lado da bicicleta, agora ouvindo Mary integralmente, tanto ela com ela, quanto eu com ela, escrevi estas ácidas linhas, com a tampa da caneta na boca.

Comigo mesmo, brindei o momento de conclusividade individual com um solitário gole de coca cola.

Mary-Yann Tiersen

http://www.youtube.com/watch?v=tRq7FxiSmxY

sábado, 25 de setembro de 2010

Tanta Gente.

Tem gente que me faz bem,
Tem gente que me faz mal.
Tem gente que já me fez bem,
Tem gente que já me fez mal.
Tem gente que hoje faz bem,
Tem gente que hoje faz mal.
Tem gente que ontem fez bem,
Tem gente que hoje faz mal.
Tem gente que ontem fez mal,
Tem gente que hoje faz bem.
Tem gente que hoje faz bem,
Tem gente que amanhã fará mal.
Tem gente que hoje faz mal,
Tem gente que amanhã fará bem.
Tem gente que quero em vivacidade,
Tem gente que quero em mortadela.
Tem gente que não cheira,
Tem gente que não fede.
Tem gente que eu queria que voltasse,
Tem gente que eu queria que fosse.
Em suma,
Isto é,
Em português claro,
Foda-se,
Tanta gente.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ausência/Presença.

Em 2002, lá por meados de Novembro, eu cursava, com dolorosas dores, a sétima série do ensino fundamental (ginásio). E em um sábado em especial o professor Chico, me deu aula de história, é sociólogo, diria que foi uma grande influência na vida, estava lançando seu livro sobre Adoniran Barbosa. O lançamento foi em um bar muito simpático na Vila Madalena.
Fomos eu, minha mãe e meu pai; lá estavam outros professores do colégio, me lembro da querídissima Elis de matemática sentada à mesa conosco (nos contando suas aventuras para ver jogos do São Paulo), lembro-me da coordenadora do meu ano e mais alguns professores do ensino médio que, em pouco tempo, se tornariam pessoas tão importante para este projeto infinito.
No dia seguinte a este sábado, ou seja, pela lógica romana, um domingo, haveria uma daquelas feiras que as escolas particulares organizam para mostrar os "trabalhos" desenvolvidos pelos alunos aos pais, para lhes dizer, "seu filho tem futuro" ou "veja, ele não entende direito...".
Lá pelas tantas, certamente quando nos despediamos, a memória não me permite a recordação exata, a coordenadora disse um "até amanhã" para mim, isto é, com a plena e convicta certeza de que me veria no colégio no dia seguinte. Minha resposta, a mais sincera possível, foi "ah, mas eu não vou". Uma expressão de espanto tomou a face dela, e perguntou, levemente chateada "mas por que não vai?".
"Amanhã tem oitavas de final, atlético mineiro e corintias, e a feira é a tarde".
Enfim, minha mãe, que não via problema na minha ausência naquele evento, quando já estávamos no carro, me repreendeu por ter dito à coordenadora que eu não iria.
No dia seguinte fomos até a escola, eu, minha mãe e meu pai, ela ficou por lá até o final da feira, lá pro final da tarde, eu e o gordo ficamos mais ou menos meia hora por lá, voltamos de ônibus pra casa, para assistir àquele lendário Atlético 2 Corintias 6, em pleno mineirão (jogo que tenho os melhores momentos em fita, mas não encontrei no youtube).
Moral da história: não é de hoje, e até que se faça possível, será como diz aquela canção entoada nos jogos do corintia: "pelo corintias, com muito amor, até o fim".

Má tá pescando, tá pescando pescoooooou!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Dica de Prazer.


Dica de prazer do Coiso:
1)em meio a uma crise, de qualquer origem/natureza, ou mesmo em momento de não crise, mas um pouco apático, passe um dia sem tomar banho (dois ou três, varia de acordo com a sua disposição e obrigações não fétidas);
2)evite pensar em banho ou em sujeira no correr destas 48 horas (ou 72 ou 96);
3)quando já tiver passado este tempo sem banho, tome um, reparando nos detalhes: no esfregar do xampú em sua cabeça, no passar do sabonete em cada canto da pele e, sobretudo, na água caindo sobre o corpo e levando, ralo abaixo, a água, a espuma e a água com a espuma com toda a sua sujeira acumulada nas últimas horas.
4)agora, uma super dica: evite realizar este procedimento em períodos quentes e úmidos, dê prefrência a dias frios e secos, para poder amplificar o prazer, tomando o seu banho com aquela água morna/quente.

Uma super dica de prazer, do Coiso, pra você!


sábado, 18 de setembro de 2010

Suco de Barata.

Não me cutuca não,
Que eu apelo pro Vai Corintia.
Não me fere com ferro,
Por que ele tem duas pontas,

Não me zoa,
Não me tira,
Não me debocha,
Não me humilha,
Não me estrupa,
Não me irrita,
Não me anula.

E peço perdão,
Aos inocentes,
Mas implodir,
Em meu peito,
É explodir;
Perdão,
Pela fagulhas.

Mas às vezes,
Simplesmente,
Não dá:
Eu não tenho,
Nem sou,
Nem tomo,
Nem aceito,
(Ser),
Suco de Barata;
Sobretudo,
Nas veias.

domingo, 12 de setembro de 2010

Sobre frustração e desespero.

Desde o princípio da juventude, lá pelos onze/doze anos eu tive posturas muito claras com relação a muitas coisas que eu já percebia como sendo “da vida”. Tinha minhas escolhas e preferências muito bem marcadas; muitas vezes tropecei em momentos de escolhas e decisões, é verdade, mas muito em parte pois tinha que ponderar as minhas “idéias” e "certezas" com o tudo/todo/todos ao meu redor.
(...)

E ai eu paro e me vejo com 21 anos, muita barba na cara, muitas fotos de diversas fases da vida; não digo mais “quando eu fui cabeludo”, digo “quando fui cabeludo pela primeira vez” ou pela segunda, ou pela terceira, e me encaminhando para a quarta agora.

Paro e me vejo com 21 anos tendo alcançado coisas que desejei por tanto tempo desde o princípio da juventude (e, claro, com tanto pra alcançar; meio 'ouro de tolo'), e que me tomaram grandes momentos de reflexão, que foram importantes passos no caminho e tudo o mais que possa ser compreendido nesta linha demarcada nos termos individuais desta última década.

Vejo que construi, que alcancei; sinto-me coerente com aquele garoto sem barba e vestindo camiseta com o rosto do Renato Russo.

E sinto-me frustrado e em desespero comigo mesmo, com ou sem barba (ponto)

(escrito na segunda-feira, dia 30/08, no auge da crise).

De forma audaciosa, faço um paralelo com o cd "Sobre determinação e desespero" do Colligere, invertendo a coisa, sintetizando estas linhas acima (e grande parte dos sentimentos aqui de dentro) na frase "Sobre frustração e desespero". Ácida e infelizmente é assim que venho me sentindo nos últimos anos, e consegui sintetizar neste 30/08.

Este cd começa com um trecho de Guy Debord (autor que não conheço): "O segredo domina este mundo, antes de tudo, como o segredo da dominação. O espetáculo organiza a ignorância do que acontece e o esquecimento do que, apesar de tudo, conseguiu ser conhecido. Quem está sempre assistindo, esperando o que vem depois, nunca age, assim deve ser o bom espectador. A consciência do desejo, e o desejo da consciência, são o mesmo projeto que, sob a forma negativa, quer a abolição das classes. Que as pessoas tenham a posse direta de todos os momentos de sua atividade".

Negritei a última frase pois, em 2005, quando já era grandiosamente desgostoso com relação às coisas da vida (que cito no começo desta postagem), a escrevi em uma camiseta.

E do dia 30/08 pra cá (hoje é dia 12?), realmente, não só o "Sobre determinação e desespero" tem-me feito muito sentido, como também o "Incerto", segundo cd do Colligere.

Como sei que a maioria do pessoal que frequenta aqui não tem ouvidos pro Hard Core, deixo o link pras letras da banda no Vagalume.

http://www.vagalume.com.br/colligere

Indico: "quando o espírito está morto" e "travessia".

Como dizem os jovens: tenso.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Mars.

Vocês conhecem a música "life on mars", do David Bowie?
Assim como aquela que me foge o nome, a do Major Tom. "Space Odity".
Em algum momento da vida essas músicas já me fizeram chorar; mas falo agora de "life on mars".
E ai semana passada achei os links para alguns cds do Yann Tiersen (que também já me fez chorar) que eu ainda não tinha, e em um deles, uma versão de "life on mars".
Me arrepiou. Muito.
David Bowie:

http://www.youtube.com/watch?v=n2kJ0T2mbp0&feature=related

Yann Tiersen:

http://www.youtube.com/watch?v=pdTSGjEFob8

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Amigos.

Saio do interior e venho para São Paulo, acho que dá pra fazer uma média de uma vez por mês. Fico aqui três ou quatro dias. As últimas férias duraram 14 dias, e a outra vez que eu havia vindo durou 12 dias (some 4 dias passando por campinas, santa bárbara e piracicaba, com direito a Yann Tiersen).
Sempre procuro encontrar um ou outro amigo de antes dessa grande bobeira chamada faculdade começar, acho que pra ver como está a ligação entre o passado e o presente, e se há consonância com o futuro que parece estar por vir/sendo planejado.
Às vezes é chato, dolorido, deprimente; em suma, xumbrega.
Às vezes é legal, gostoso, saboroso; em suma, toca o coração.
Às vezes faz todo o sentido, e a ligação soa saborosa/menos dolorosa.
Às vezes não faz sentido, coço a nuca e sumo por um tempo.
Às vezes penso que queria morar mais perto deles.
Às vezes penso que queria que as nossas conversas durassem mais uma tarde.
Enfim,
Quase sempre eu queria carregá-los para além de dentro do meu coração.

sábado, 4 de setembro de 2010

Primeiro.

Primeiro dia realmente bom do centenário:
pela manhã fiz a primeira leva de camisetas da Vanderlei; sai de lá e fui, gloriosamente, buscar o meu ingresso pro show do Dinossauro Junior.
Em casa um delicioso almoço, a base de frango xadrez feito pela gorda.
E no final da tarde fomos ao primeiro jogo do centenário, conferi de perto a primeira goleada do centenário e me certifiquei: o time tá voando.
Agora, seguindo a tônica equilibrada da última postagem, houve momentos dificeis durante o jogo: por vezes tirei a atenção do que ocorria nos gramados para (d)escrever algo que ocorrerá na silenciosa arquibancada e chamara por demais a minha atenção.
É complicado separar as coisas.
Mas que foi o primeiro dia bom do centenário, não há duvidas, e aqui deixo registrado.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Centenário.

Em meu computador, sentado na cadeira do quarto, cutucando os dedos do pé, acompanhei a "festa da virada" que ocorreu no Anhangabaú, em São Paulo. Puxa vida, que vontade de estar lá, não por causa do centenário (isto é tática de marketing, eu sei bem) mas sim por conta da festa, do reconhecimento, da identidade e da identificação com aquela coisa que não sei bem o que é, mas que me fez chorar, tanto na posição citada durante a madrugada, quanto ontem com a homenagem do Globo Esporte.

Mas o centenário, o dia do centenário, teve um gosto todo especial para mim, e pra quem está de saco cheio das minhas corintianices, a coisa fica interessante a partir daqui.

Estudo seres humanos, logo, em razão da escolha minha de como trabalhar com isso, eu pesquisarei gente, em seus espaços, em seus coletivos e etc; e ai resta escolher e encontrar quais gentes, quais espaços, quais coletivos e etc, novamente.

Faz um tempo que venho querendo estudar as organizações em pról de um time, sejam de torcedores propriamente organizados, ou de torcedores "comuns" (termo tosco, que espero encontrar outro melhor para substituie), em suma: venho querendo encontrar gentes que frequentem determinados espaços, sendo um coletivo visando representar um time.

A priori tive medo de estudar algo relacionado ao Coringão, mas então, parei e pensei: homossexuais desenvolvem pesquisas entre grupos homoafetivos, frequentadores/adeptos do candomblé que estão nesta área maldita que eu estou estudam suas práticas religiosas, porrra, será que seria tão absurdo assim eu pesquisar coisas próximas e relativas ao Corintia?

E eis que ontem, ao final do dia do Centenário percebi: é, não tem problema. Encontrei minhas gentes, tenho breve noção de seu espaço e agora é me aproximar do coletivo.

Vai Corintias.