sábado, 28 de agosto de 2010

Gullar.

Minhas anotações da mesa de Ferreira Gullar na FLIP 2010, dia 7 de agosto.

-“Fazer uma poesia em que a linguagem nasça com o poema”.

-“E ai nasceu a poesia concreta, deveria chamar-se abstrata, mas é concreta”.

-“A poesia nasce do espanto”.

-“A vanguarda tem a ver com política (...) os artistas começaram a lançar manifestos, e como os políticos começaram a prometer coisas que não seriam cumpridas”.

-“Eu como poeta sei que não se sabe o que será feito”.

-“Não to querendo fazer graça, mas enfim, a vida é engraçada”.

-“A vanguarda é igual o terrorismo, ninguém pode botar o galho dentro”.

-“Se você não é de vanguarda, você é de retaguarda”.

-“Eu não me dou muito bem com partidos, tenho mania de pensar pela minha cabeça”.

-“Passamos de pessoas que estavam pensando a mobilização à perseguidos”.

-“Se é para não mudar nada, pelo menos façamos boa poesia”.

-Sobre “poema sujo”: “escrever o que me restava dizer”; “eu escrevi aquilo para sobreviver”.

-“É bom fazer o poema, ninguém te obriga a fazer”.

-“O poema traz coisas doídas (...) quando você escreve é para transformar dor em alegria”.

-“O poema é a alquimia que transforma a sua dor em alegria e beleza estética (...) e ai está superado o sofrimento (...) a arte está ai para isso”.

-“O passado, que está vivo, é presente, e o poema é isso”.

-“Ou há o espanto e eu escrevo, ou não há o espanto e eu não escrevo”.

-“O homem existe entre o mundo, deus e o acaso, se há deus não há acaso, pois deus tem todo plano; o acaso é a bala perdida, e quem não acredita em deus está jogado ao acaso”.

-“Se dependesse dos poetas não teria sido inventada nem a soda; a ciência não conta conosco”; “a poesia dá algo que a ciência não dá”.

-“O silêncio eternos destes espaços infinitos me aterroriza”.

-Sobre o Big Bang: “Nada não explode”.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Possibilidades.

"De duas, uma:
1)ou não tenho mais tido tempo para ficar na janela, o que tem ocupado meu tempo e cabeça, e, enfim, o que importa é isso: "talvez eu não tenha mais gastado tanto tempo na janela";
2)ou quando eu olho tenho uma visão distinta do chão, uma compreensão outra daquele espaço, distante de mim 4 andares."
carta de dessuicídio às 3 e pouco da manhã.

domingo, 22 de agosto de 2010

Dias.

Há dias e dias, exponho isto com facilidade; recentemente no sarau da UNE expus o verso "há dias em que a fuga em si exige fuga para si". Sincero da minha parte colocar isto para fora, pois é assim que me sinto na maioria das vezes.
Agora, e ai começa-se mais uma repetitividade constante deste blog, eu levanto mais feliz, com maior pique, maior disposição para a vida e mais disposto 'pro que der e vier', nos dias em que o Corintias joga.
Vai Corintias.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Dinosaur.

Isto merece uma postagem minha, muitos tuites e mensagem pessoal no emi eci eni:





http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/08/dinosaur-jr-se-apresenta-no-brasil-em-setembro.html





E merece também uma foto do patche em minha jaqueta:


E merece também um video do youtube pra quem não conhece a banda:

http://www.youtube.com/watch?v=TgTJtdn6VjM&feature=related

Resposta.

Recebi a resposta do emeiou que enviei ao professor.
Logo na segunda linha ele escreveu "tudo vale a pena se a alma não é pequena".
Pensei, "hum, vai ver é por isso que as coisas não tem me soado como valendo tanto a pena assim".

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Cansaço.

O cansaço que eu procuro, acho que é esse.
De ir, voltar, ficar um tempo, cansar por aqui, descansar de ambos, ir para outro lado, voltar de novo, já ter que cansar mais, e não ver no horizonte dos dias o momento exato do descanso, por ter algo a fazer.
Vai corintias.

domingo, 15 de agosto de 2010

Aquilo.

Levantei, andei pra lá e pra cá como é de rotina, e pensei "puxa vida, preciso pôr aquilo na mala para viajar".
Fui preparar o pão, dar uma arrumada final na pia, tomar um café, pensando em escrever sobre o fato tão explosivo de pensar em levar aquilo para viajar, bem como complementar a escrita falando sobre as coisas que lembramos sorrateiramente.
Com a caneca fumegante na mão, parei na porta do quarto, olhando-o em toda sua completude, e ainda pensando em escrever (liguei o computador, inclusive). Olhei para a cama, para as roupas sujas, para a mala semi pronta, para a arara de roupas, e não me recordei o que seria aquilo que eu precisava tanto para viajar.
Após um tempo em esforço, a caneca secara-se, para me lembrar o que era aquilo, sentei-me em frente ao computador para escrever sobre lembranças sorrateiras, pensamento explosivo e esquecimento volumoso.
Enquanto escrevia, me lembrei: aquilo é um cachecol; segunda etapa de levá-lo para viajar: materializá-lo encontrando-o em meio a esta zona.

Uma curtinha da FLIP que achei anotada ontem:
No primeiro dia do evento, eu caminhava pela cidade histórica, passando por um jovem que apresentava o seu "circo de pulgas". Como parte do 'espetáculo', um isqueiro não acendia, e o rapaz disse: "calma que nóis dá um jeito". Um sujeito posicionado ao meu lado, vestindo um casaco bege aparentemente de couro, por cima de sua camisa pólo creme e calça dins muito bem alisada, falou: "eu como apreciador da norma culta não gostei, por que 'nóis' não faz nada".

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Felicidade Recorrente.

Após uma frustrada e estúpida trilha, no dia seguinte pegamos uma van para Trindade, praia de fácil acesso e, segundo disseram, bem bonita. Realmente, é bonita, mas não faz o meu tipo não.
O mar estava bravo por causa das chuvas do dias anteriores, e a água batia com violência nas pedras, provocando um efeito águas de artifício.
Isso não importante para a construção de alguns instantes de extrema, plena e recorrente felicidade.
Entramos na praia pelos fundos de uma das barracas, perguntei a um rapaz se eu poderia usar o banheiro para tirar minhas roupas de gringo e colocar uma bermuda (sim, estava de all star e calça dins).
Indo para o banheiro me deparei com um jovem de bombeta preta e uma regata da Gaviões, original, bordadinha, daquelas que apenas os sócios podem comprar. O saldei "e ae corintia!", ele retribuiu "e ai corintia!".
Fiquei feliz de em uma prainha pequena, num canto/vila de Paraty trombar um corintiano efusivo. E isto é uma felicidade recorrente em minha vida.
Vai Corintias!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Falando bobeira.

Capacitado em falar bobeira eu sou, cresci e me conheço assim. Às vezes para tirar um sarro, às vezes para ser sarcástico, irônico e até sádico.
Porém, algumas vezes sou agraciado com o ato de falar bobeira em situações indevidas, mal vindas e esdruxulas (a situação e a bobeira).
Exatamente como fiz agora.
Nós, que viajamos para a FLIP, combinamos com uma professora de fazermos a prova dela hoje, pois não estariamos aqui na semana passada, como não estávamos. Fiz a prova, um pouco no estilo das telhas históricas de Paraty, e, ao entregá-la, gostaria de agraecer a professora por vir aqui um dia a mais aplicar a prova e etc.
Foi então que soltei a bobeira:
-"Obrigado professora, por vir aqui, nos encontrar mais uma vez".
Ela riu, segurando a minha prova, olhou para mim, para a prova e disse:
-"É, isso mesmo".
Enfim.

domingo, 8 de agosto de 2010

Mais um retorno.

Mais uma vez cheguei em casa, trazendo, além das mochilas, uma cabeça mais pesada do que a chuva que molhou nossa barraca, mais barulhenta do que as ondas quebrando bem pertinho de nós a madrugada toda, mais desastrosa do que a lama da trilha errada, mais complicada do que as pedras que formam a rua, mais enxuta do que a marmita de todo dia.
Enfim, cheguei em casa mais uma vez, feliz por ter saído, feliz por ter vivido dias bons, mesmo nos momentos da mais aguda e extrema raiva (as coisas se tornarão grandes piadas, é sempre assim não é?). Volto pensante, mais do que fui, e cito o Gular, que pouco antes de nos emocionar, passou andando por mim em um ritmo que esconde qualquer 79 anos de idade.

"O poema é a alquimia que transfigura a sua dor em alegria e beleza estética (...) e ai, esta superado o sofrimento. A arte está ai para isso".

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

10; 3; ?.

Comemoro ausências crescentes.
Celebro presenças que prometem.

Qualquer canção trará dúvidas.











Tudo bem, eu tenho religião.