domingo, 30 de maio de 2010

Final de domingo.

Final de domingo tem uma cara própria.

Em termos televisivos: mesa redonda pra quando o corintias ganha; silvio santos pra antes e/ou depois do mesa redonda. Às vezes saímos pra comer lanche, ou ficamos em casa 'curtindo uma bad', como diz a juventude.

Agora há pouco procurei aqui por um clip do '30 seconds to mars' que vi outro dia na TV a gato. Kings and queens, é bacana, e a música não é tão ruim. Fiquei ouvindo outras músicas da banda.

E então me lembrei de uma outra época de minha vida, de finais de domingo muito particulares: entre 2004 e 2005, às dez da noite rolava na finada '89-rádio roque', o programa "Bate Cabeça", no qual rolava só músicas de punk roque e hard core. Conheci muitas bandas boas por conta do programa, também conheci tralhas por lá.

Eu ficava, das 22 às 23 sentado na cadeira do quarto, no escuro com fones de ouvido, pois minha irmã já dormia, e gravava quase todos os programas em fitas k7. Algumas ouço até hoje. E tenho materiais preciosos nestas fitas, como a primeira demo do Ratos de Porão, de 82, eu acho.

Às terças feiras eu repetia o ritual com o "Brasil 2000 ao vivo", do qual tenho ainda as fitas de cólera, dance of days, glória, nxzero (em sua primeira ida a uma estação de rádio), level 9, inocentes, hateen, dead fish, entre outras que não lembro o nome.

Era uma época bacana, e os finais de domingo eram bem bacanas.
Ps: o Léo, do S4N7OS passou aqui em casa perguntando se tinhamos encontrado o Ralf por que ele não o viu passar antes deste marcar o terceiro gol.

sábado, 29 de maio de 2010

Pensar.

Pensei muito na situação desde que ela se configurou como verídica e inescapável.
E em nenhum destes pensamentos imaginei que doiria tanto.
E a dor, dói.

Filhos das putas.

Vai Corintias.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Inimigos.

Entrei em uma sala repleta de inimigos (que assim se apresentaram para mim). Havia uma urna, e eu tinha que entrar para poder votar. Não entrei sozinho, mas meu companheiro logo sumiu. Fiquei eu e alguns inimigos. Alguns deles sentados ao redor da urna, outros em cadeiras espalhadas pela sala, apenas olhavam apáticos para frente.
Entrei, escrevi minha opinião em um papel e coloquei na urna. Um deles disse "você não vai mostrar?". Fiquei parado, sem saber o que dizer ou fazer, como é de praxe. A garota ao lado dele (também inimiga) disse que eu não precisava, mostrar. E começaram a discutir com fervor.
Sai da sala e fiquei perto de sua porta, azul.
Pouco tempo depois a garota saiu da sala, me disse que ia comprar sorvete e perguntou se eu queria ir junto. Fui.
Compramos alguns sorvetes e voltamos para a sala.
Um dos sorvetes tinha formato de sonho.
Nesta sala, passados alguns instantes estávamos sozinhos, eu e a garota, ou acreditávamos estar sozinhos. E começamos as carícias, um no sorvete do outro. Ela me disse coisas que deveriam soar como elogios, mas eu não lhe disse nada. Até pouco tempo, ela era inimiga.
O rapaz com quem ela discutirá há pouco, e todos os outros inimigos, reapareceram. Mas o rapaz em especial, estava com uma antiga pistola na mão, e a apontou para mim.
Discutiram novamente com fervor, e ela voltou a estar do lado dele.
Ele apontava a pistola para mim, e gritava com a força do ódio que era para eu sair.
Recolhi os meus sorvetes e fui saindo, mas a porta havia travado. Quando ele chegou perto de mim, tomei a arma dele e consegui abrir a porta.
Pus o pé pra fora, e eis que surge, com uma outra arma na mão, um outro rapaz. Este nunca se configurou como inimigo, mas apontava sua arma pra mim, ao passo que eu apontava para ele a arma que eu tinha em mãos.
Fui andando de costas para longe daquela sala, ia para o fundo do corredor, e o rapaz (o novo inimigo) permaneceu parado na frente da porta azul. Até que apertou o gatilho e acertou meu ombro esquerdo.
Ele saiu correndo, e eu, com a mão direita, tentava acertar algum tiro nele.
Logo que passou pela grande porta no começo do corredor, lhe acertei a cabeça, após 3 ou 4 tiros dados no ar, por falta de mira.
A dor no ombro se tornava incontrolável. Os outros inimigos correram para socorrer seu colega recém alvejado.
Não suportei a dor, e cai no chão.
acordei.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O mercado de patches.

(ou: "postagem inútil frente a tantas outras coisas interessantes, angustiantes e/ou prazerosas que eu poderia expor neste meu espaço").
Mais ou menos nesta época, no ano passado, indo para o centro da cidade, parei em um brechó para ver quanto custava uma jaqueta dins pendurada próxima da porta.
-15, mas faço por 13 - disse a senhora, por trás da pilha de roupas que se configurava como balcão.
Comprei a jaqueta, na hora.
Usei-a relativamente bastante de lá pra cá, está certo que não se fez muito frio e etc. Aliás, ela serve para ser usada quando: 1) esta ventando, mas não tão frio; 2) quando faz frio e venta, mas ai precisa usar uma malha por dentro; me sinto muito bem trajando esta combinação malha + jaqueta.
Recentemente, em fevereiro, decidi bordar 'patches' nela (pequenos panos com nomes e simbolos de bandas). Comprei na Galeria, em fevereiro mesmo, um do Alice In Chains e um do Johnny Cash. Hoje comprei mais dois, Nirvana e Pearl Jam.
E o mercado de patches que representam as bandas que eu me orgulharia de expor em uma jaqueta, se limita a isso.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Dias de fuga.

Tem dias em que você foge,
E alguns minutos bastam.
Tem dias em que você foge,
Para fugir por dias.
Tem dias em que você foge,
E o desgastar onipresente te encontra.
Tem dias em que você foge,
E a fuga em si exige fuga para si.
Tem dias em que você foge,
E o mal estar te compreende,
E cria um dia de fuga pra ele.

escrito na varanda da casa da vó,
e postado no computador dela.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Um rolê que vai.

A priori a idéia era sair sábado cedinho e voltar domingo cedinho, bate e volta. Mas a idéia se desenvolveu, e eu acabei saindo sexta cedinho e voltando segunda cedinho.
Com direito a conhecer três cidades nestes três dias e um pouquinho; viver a experiência musico sensorial mais fantástica da vida; andar pra lá e pra cá; arrumar uma carona aqui, outra ali.
Enfim, não diria que eu me diverti, mas sim que vivi de maneira concentrada um curto período de tempo, o que envolve: fazer muitas coisas em poucos dias; dormir pouco; comer mal; gritar ao reconhecer a primeira nota da música; sentar ao sentir um peso incrível por ter sido tão bom; andar.
E esticar o rolê, algo que eu não fazia havia tempos, o game over vencia com uma facilidade incrível em grande parte das situações. Desta vez não: antecipei o rolê, e o estiquei, como eu disse: 'uma carona aqui, outra ali' e fui ficando, por que, como está na biblia "deus viu que era bom". Deus, no caso, seria eu: onipresente e onisciente desta situação libertadora que foi o final de semana.
Ps: só estou com medo de ter que votar no Serra para compensar o show do yann tiersen =/

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O Macho.

Faz por que tem que fazer, está no seu dna, e isso é inquestionável, independentemente da sua área;
Faz sem pensar em consequências ou em quem, faz por que tem que fazer;
Faz e não tem responsabilidade, aliás, sua responsabilidade é fazer, por que tem que fazer;
Faz por que deram mole, e ele não pode deixar passar, por que tem que fazer;
Faz um circo todo, é ele quem paga os convidativos, cria uma atmosfera, por que tem que fazer;
Faz aonde for, da forma que for, e não importa quem, mesmo, por que tem que fazer;
Faz, e comenta apenas como anônimo, não mostra a cara, por que tem que fazer;
Faz, não importa se bem feito, e não tenho nada a ver com essas fitas, por que tem que fazer;
Faz, e quem não fez, por quê? você tem que fazer!

Eu sempre encosto a chave na porta, dou um passo pra trás, e refuto em entrar em casa.
Sempre.
E quando fui macho, refutei.
Sempre.
Eu não sou alfa, faço bagunça, desmonto no sofá e me entristeço.
Sempre.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Uma cena bonita.

Eu estava naquela sala pequena, conversando com aquele homem atencioso. Estávamos sentados, entre nós uma mesa, e atrás dele uma parede, com uma janela no alto.

Levantamos para nos despedirmos, e ele se recordou de dizer mais alguma coisa, que começou com lembrei de uma coisa importante. Era tarde para requerer a minha atenção, pois eu já havia olhado pela janela.

A janela estava na altura dos meus olhos, por trás do atencioso homem dizendo algo realmente importante.

Depois da janela, havia um longo espaço gramado, com diversas e grandes árvores. Em uma das árvores, preso, havia um balanço, praticamente artesanal, e em cima do balanço, mais artesanal ainda, ela se balançava.

Cabelos pretos e soltos, superando os ombros. Ela estava em pé, segurava firmemente as cordas, e com leves movimentos mexia-se delicadamente, pra lá e pra cá. O vestido verde, com calma e sapiência, passava pelos joelhos, acompanhando os movimentos dela.

A conversa já havia acabado, e eu já estava em outro lugar. Mas o balançar, permaneceu, mesmo que aqui.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O dia de hoje - 847P-42.

Desde que comprei minha passagem para São Paulo, sabia que o dia de hoje seria entre marcante e decisivo. Aliás, já adianto, foi mais marcante do que decisivo, até por que, me marcou a opacidade da falta de decisões deste hoje, arrastando os problemas por mais tempo para mim.
Espero que este blog aguente o peso dos dias.
Foi o tipo de dia que acordei atrasado tomeibanhocomitomeicaféesai assim, tudo meio embolado, enroscado. Cheguei a tempo e tive de aguentar o atraso típico dos médicos mais displicentes (ou 'picaretas' como disse a Ligia). Fui buscar a câmera e passei a tarde com a Isa.
Um colo de Isa aguentou muito bem o peso de alguns dias.
Mas, voltando ao marcante e decisivo, o que foi marcante, e decisivo para que eu siga utilizando o termo quando eu era jovem, foi o ocorrido no ônibus quando voltava pra casa.
Me despedi da Isa no ponto dizendo sobre o show do Yann Tiersen, e notei uma garota olhando para mim neste momento. Dentro do ônibus, ela me chamou:
-Pesquei um segundo da sua conversa. É verdade então que o Yann Tiersen vai tocar aqui em São Paulo?
Expliquei para ela, como se tivesse muito para explicar. Gastamos um tempo conversando sobre coisas das viradas. Ela era realmente bonitinha, com força no conceito talhado nos últimos tempos. Em dado momento ela disse "- Tchau", seguido de um sorriso.
Isso sim foi marcante, embora nada decisivo, apenas bonito para um ônibus no final do dia cruzando a vila madalena.
O meu saudoso 847P-42.
E, quando eu era jovem, sempre dizia, nestas situações algo como "meu nome é gabriel coiso, me encontra na internet pra conversarmos", isso quado não escrevia isto no verso de um adesivo e entregava.
Quando eu era jovem.

sábado, 15 de maio de 2010

13 do 5 e o relógio.

00:32, entrei no posto para comprar uma cerveja, estava frio, eu tinha sono, mas já que estava na rua, criei uma volta a mais em um fim de noite gostosa.
1:10, eu sai da frente daquela casa em que ocorrem festas, começava uma naquela noite, passei meia hora conversando com o jovem que fica na portaria; o clima de festa me desanimou mais um pouco, virei as costas e não olhei para trás, andei em passos vagarosamente largos.
1:43, acabei de escrever o que escrevia (e que não fez sentido na manhã seguinte), me obriguei a deitar e dormir, estava frio e eu tinha sono.
8:12, acordei atrasado, virei na cama e me levantei, comi com pressa, estava com fome, preparei o café com leite e vim pra cá, certo de que não haveria aula.
10:40, apontei o nariz na rampa com a certeza da obrigação, em tons de dever, de ir embora daqui para voltar mais tarde, talvez só no outro mês, no mínimo alguns dias.
O que me fez pensar que, independentemente da hora e da situação, não me esforço muito para ser simpático.
E ai tudo bem, volto no final do mês; e agradeço a um deus que não acredito.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Três curtas sobre religião

Estava no ponto de ônibus, guardando o litro de leite na mochila e me esforçando pra não deixar a mochila cair nem meu nariz escorrer muito. Quando me virei para arrumar a mochilanas costas, e dar aquela 'balançadinha' com o ombro, li esta camiseta: "castidade: deus quer, você consegue";
Cheguei na faculdade e desci a rampa quase que por inércia; a camiseta de manga cumprida esta curta na cintura, isso me irritou; ai, lá embaixo, vi uma garota que nos ofendeu por causa das politicagens, ela conversava com alguém, e disse,bem quando passei: "mobilizar o ato aqui junto com o de São Paulo";
Por fim cheguei na porta da sala em que estou, quentinha, gostosinha, e vi uma garota, "tão bonitinha", conversando com um jovem de longos cabelos, ela dizia: "por que deus mostra as coisas pra gente".
Enfim, entrei, tirei o meu boné do Corintias e vesti a blusa, está frio.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Coiso sem prestígio.

Tenho certeza sobre quem falei na postagem "você me conhece?" (http://gabrielcoiso.blogspot.com/2010/04/voce-me-conhece.html). Não fui eu quem começou, Pedro, e não foi você, Larissa. Foi uma postagem direta, sucinta e clara, porém, há a certeza de que 'nossas' observantes não lerão tais linhas. Uma pena.
Na última quinta feira, chorando as mágoas do Corintias (a biscatagem ficou para segundo plano, o Corintias sempre dói mais, e muito mais), resolvi tirar a limpo esta história de risinhos por trás da cortina. Depois da terceira cerveja, e do segundo ataque de nervos por conta de uma estrutura que não se formava como em minha cabeça, resolvi ligar, através do sistema integrado de interfones, lá.
-Alô? - disse uma voz ríspida e grossa.
-Olá! - respondi cordial.
-Quem é? - mais ríspida e grossa ainda.
-Oi, aqui é o Coiso, é que...
Acreditei, por três ou quatro segundos, que ela perguntava "quem?" repetidamente, dizendo "Tu?", "Tu?", "Tu?". Mas percebi que era apenas o interfone, que fora violentamente desligado.
Realmente, ando sem prestígio.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Libertacion (ou "a praça é nossa") III

"De novo não" (http://www.fotolog.com.br/biel_chair/14400509), foi o que eu gaguejei entre as primeiras lágrimas e soluços, lá pelos 42, quando o gordo errou aquela cabeçada; aliás, quando a bola dolorosamente beijou a trave.
Aos 46 uma falta, meio esquisita, perto da meia lua, duas coisas na cabeça: "foi dai que saiu o segundo gol no jogo em que voltamos" e "dai pro Chicão...". O Chicão foi, e o goleiro deles também. Arrombado duma figa.
Algum (ou alguma) filha da puta tocou o interfone de casa, duas vezes, desligou antes que eu atendesse.
Já estava entregue às lágrimas, não queria acreditar, não podia estar vendo de novo a mesma merda de filme; "o corintias na libertadores é que nem o chaves: a gente sabe o fim, mas sempre dá risada". É o que pululou rapidamente no celular.
"É Renan, acabou", "é mano, não deu".
E pra piorar, ainda tinha muita biscatagem por vir por ali, na minha sala. A noite não acabou com uma vitória no placar, que na verdade foi apenas uma grande goleada de chutes no saco. Ainda tinha a biscatagem.
A camiseta que visto agora, sentado na escada de uma passarela no centro da cidade, tem um símbolo do corintias virado pra baixo. O time não jogou tão mal, teve raça e força; até as substituições esdrúxulas foram compreensiveis. E uso esta camiseta como forma de dizer, mesmo que apenas para mim, "a praça não é nossa", e o grito, o único grito ainda preso aqui dentro, segue sem "libertación".

Ps: e ainda tem a biscatagem.
Ps1: umas das postagens mais difíceis de fazer.

"a dor, dói".

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Hoje.

"Você tá lá, entre a realidade, a razão e o corintias.

Mas você esquece tudo, e fica só o corintias.".

(trecho do filme "Fiel", dito pelo cidadão abaixo).

Vai corintias!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Parabéns Santos!

Cem gols em cinco meses; 3x0 é vitória magra; o país mobilizando-se para que dois jogadores deste time joguem a copa; raríssimas derrotas; grandes jogos, espetáculos; e um título questionável.
"Gabriel, pára com isso. Todo jogo é goleada, esses meninos são verdadeiros gênios, e você vem dizer que o título é questionável?". É o que diriam algumas pessoas que não aceitam minha relação religiosa para com o Corintias.
Meu vô era santista, viu a grande época do Santos na década de 60, aguentou os 18 anos sem títulos e em 2002 se emocionu com o retorno grandioso do time praiano. Algumas vezes por estes tempos me peguei pensando "poxa, o vô ia gostar de ver esses meninos". Infelizmente não podemos ver tudo.
Quando surgiram as primeiras "bandeirinhas" no futebol, meu vô, como "homem de seu tempo", questionou a presença de mulheres no meio do futebol masculino, não aceitava, e demorou para se acostumar com a idéia.
O que isso tem a ver com o título do Santos ser questionável?
Com certeza meu vô, que chorou quando o Brasil foi penta, não aceitaria que este time "espetácular" apenas se tornasse campeão paulista por causa do erro de uma bandeirinha, que anulou um gol legítimo do Santo André, o que resultaria no título deste.

PS: "futebol arte" com três expulsos pra mim são esculturas distorcidas de ferro velho encontrado no lixo.