quarta-feira, 31 de março de 2010

Sabe a verdade do meu ser?

Um me perguntou se ainda uso meu quarto para dormir, ou se ele se tornou apenas um depósito.

Outro questionou a possibilidade de eu não ter compreendido ainda as mensagens do ratinho do castelo rá-tim-bum.

Um terceiro disse que eu não aprendi o fundamento básico do futebol (o passe), pois na escolinha quando me tocavam a bola e falavam "Gabriel, dá um passe", eu ia correndo, gritava "vai corintia" e chutava a bola longe.

Sabe a verdade do meu ser? É que isso tudo é verdade. E de certa forma, eu até me sinto bem com/por essas coisas.

A bagunça não irrita.

A sujeira não fede tanto (só a do peixe, às vezes).

Bola foi feita pra rifar.

E vai corintia.

segunda-feira, 29 de março de 2010

2010.

Jucilei, Ralf e Moacir.
As melhores contratações do Corintias para 2010.
Tcheco? Danilo? Roberto Carlos?
Abraços.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Um pouco de paz.

Subindo a rua, empurrando a bicicleta, vindo para este pseudo trampo, no melhor estilo jovem de malhação que consegue este tipo de emprego por indicação do pai. Um opala branco, de vidros pretos e farol azul descia a rua devagarzinho, ouvi um ruído, de uma música não muito alta.
Passei ao lado do carro e identifiquei a música, era aquela da cena de miss sunshine em que ela dança e tudo. Soltei um leve riso, abafado pela respiração ofegante de quem estava atrasado.
Aliás, baixem a trilha sonora deste filme. É ótima.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Deus?

Estava no serviço de desova, recolhia os livros das mesas, os desovava em uma prateleira no fundo e depois os recolocava de volta no lugar, nas prateleiras centrais da biblioteca.
Sem perceber, coloquei um livro grande no carrinho, achei que fosse algum dicionário. Na hora de colocá-lo na prateleira do fundo olhei o número de ordem (acho que é assim que se chama o número na lateral dos livros) era 220.B. Esta centena, referente à área, no caso, creio eu, religião, e a letra referente a letra inicial do sobrenome do autor. Foi assim que me ensinaram no primeiro dia, em outubro do ano passado.
Fiquei pensando "B?, quem com inicial B pode ser o autor desta obra?".
Se tratava da bíblia. Pensei que poderia ser M, de Moisés (Moshé, para os judeus), J de Jesus ou mesmo D, de deus. Mas não era.
Uma das jovens que também realiza este estágio por aqui me disse que, em alguns casos, como coletâneas e bíblias, a letra no número de classificação do livro é em razão do título.
E eu achando que era deus...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Sobre estupros e punições.

And heaven knows I'm miserable now
In my life
Why do I give valuable time
To people who don't care if I live or die ?

E o céu sabe o quanto estou miserável agora
Na minha vida por que eu dou tempo precioso
Para pessoas que não se importam
Se eu estou vivo ou morto?

terça-feira, 9 de março de 2010

Playando.

Lembra daquela música dos Mamonas que tinha o verso "o meu work é playa"? Essa é a base do título e do texto (não que eu queira que meu work seja playa).
Quando eu tinha 13 anos, era cabeludo e usava bandanas na cabeça, um dia, não me lembro ao certo por que, cheguei em casa e perguntei aos meus pais se eu poderia fazer aulas de violão. Descobri uma escolinha perto de casa, peguei as informações de preços e eles disseram que seria viável, e até bom que eu fizesse alguma atividade com vontade. Lembro-me que tinha aulas teóricas às quartas feiras a tarde e aulas práticas aos sábados, às 8 da manhã.
Meus pais me compraram um violão de nailon, simples, para que eu começasse a brincar com a coisa. Ele segue em casa, firme e forte, e quando estou por lá gosto de ficar assistindo jogos de futebol (seja europeu, seja série A-3) ao mesmo tempo em que toco o violão, sentado no sofá.
O que não seguiu por muito tempo foram as aulas. As fiz durante maio e junho daquele ano, neste período não aprendi nada de teoria e não gostava da forma como o cara que dava aula tentava me fazer entender as músicas que eu queria tocar; as primeiras, inclusive, foram o hino do corintias e geração coca cola.
Desfiz a matrícula, paguei uma multa de 30 paus por isso e me senti desmotivado. O violão ficou encostado lá em casa por um tempo, às vezes eu o pegava e tudo, mas não tinha disciplina para aprender acordes, tocar músicas.
No ano seguinte, 2003, teve o show do Silverchair, eu já sabia mais categoricamente do que eu gostava na música, isto é, já tinha alguns gostos bem apurados e até compreendidos. Voltei a brincar com o violão. Olhava os acordes nas revistinhas de cifras e ia os tocando.
E ai foi natural escrever as primeiras músicas. Com o passar do tempo fui pegando prática em tocar acordes simples, comecei a brincar com a guitarra de meu pai (até quebrá-la em 2005, num tosco acidente com uma cadeira também quebrada por mim). Em 2007 comecei a brincar com o violão folk dele (este não quebrei). Comprei um violão flat, o vendi, comprei um folk logo em seguida, comprei uma guitara no fim do ano, alguns pedaizinhos de efeito, trouxe o amplificar da minha irmã pra cá...
E ai está história que começou totalmente pessoal, acaba (continua e continuará) assim também. E quando acontece, como aconteceu semana passada, de tocar algumas canções aqui na faculdade e também no bar de um sósia do Raul Seixas, eu penso nisso tudo, e meio que entendo por que tenho me empenhado em montar uma banda para tocar Nirvana, e, quem sabe, se nos integrarmos, juntar baixo e bateria a algumas músicas minhas (e dos prováveis companheiros).
Olhando pra trás, no desejo daquele tosco menino sem barba, a mesma tosquice e o mesmo desejo: sair playando.

sexta-feira, 5 de março de 2010

100% comunicativo.

2 exemplos:

1) "olá Senhor Gabriel, aqui é do Itaú, e nós gostaríamos que o senhor autorizasse o envio de um cartão de crédito no seu endereço". Em vez de dizer que não quero, questionar aonde conseguiram meu nome, telefone e, sobretudo, endereço, até por que, jamais tive conta no Itaú, bastou dizer: "veja, eu tive um sério problema psiquiátrico com cartões de crédito, me afundei em dívidas e tive que fazer um sério e longo tratamento psicólogico tendo de tomar até remédios tarja preta". A ligação dura menos do que 1 minuto.

2)fui fazer compras hoje (macarrão, molho, pão e etc), passando pelo corredor central do supermercado, escurecido por um telhado imenso de ovos de páscoa, uma jovem com roupas azuis se aproximou de mim e disse "senhor, gostaria de conhecer as promoções da nestlé para a páscoa?", "bom dia, eu sou judeu, não comemoramos páscoa". "ah sim, bom dia".

segunda-feira, 1 de março de 2010

Óbvio retorno.

Após três toques do celular, resolvi sair da cama. Vesti meus chinelos de quarto para dar uma amenizada no leve frio que bateu nos meus pés sem meia. Fui até o banheiro, lavei o rosto, escovei os dentes; sai, fui pra sala, abri a janela, olhei o pasto, a igreja, e disse "que crime". É, realmente, a rotina voltou.
Cheguei na faculdade. Alunos novos saindo pelos ladrões do campus, pessoas que nunca vi por aqui vestindo camisetas escrito "veterano". Fui ao banheiro, e ao sair, aproveitei para tomar um pouco de água. No bebedouro havia uma aranha, daquelas minusculas, e o oríficio por onde sai a água estava levemente esbranquiçado. Deixei a água correr um pouco, molhar a superfície daquele bebedouro há dias parado, certamente. Tomei goles curtos.
Havia música no saguão, embora fossem poucos dando atenção às composições que eram tocadas, a diretora do campus falou coisas que não consegui ouvir. Os minutos entre oito e nove horas passaram, o professor não chegou, e apesar do clima de "festa" do primeiro dia, a volta da rotina se confirmou: não havia professor na sala.