terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Libertación! (ou, a praça é nossa).

Entrei no ônibus no final da tarde, estava cheio, nem passei pela catraca, e me sentei na escadinha do lado esquerdo*. Logo que entrei observei um rapaz de cabelos espetados e brinco de "brilhante", sentado na escadinha fiquei de costas para ele, apenas observando os carros que passavam na altura dos meus olhos.
Passou um tempo ouvi uma voz masculina dizendo e ae mano!, olhei pra trás e era com o rapaz dos espetinhos capilares. A conversa começou com um esperançoso é amanhã que começa hein?! e se extendeu até picos como eu fiz uma promessa, se o corintias chegar na final, eu raspo a cabeça com navalha pra ele ser campeão (disse o dos cabelos espetados) e o outro complementou mas ai, se o corintias não passar nem da primeira fase, tem que destruir o pacaembú e tudo que encontrar pela frente.
Depois de um tempo eles foram para a parte de trás do ônibus, e num movimento que me lembrou a praça é nossa, outros dois rapazes entraram no ônibus conversando:
-Cara, o complicado de levar o Dodô é que ele não tem experiência (concordei calado).
-É, e aquela anta do Escudeiro tem experiência mas é muito burro pra jogar no corintias (concordei calado de novo).
-Dai acontece igual 2003, o lateral esquerdo não pode jogar, entra um moleque e fode com a gente (dei este exemplo ontem pro meu pai).
Levantei da escadinha, paguei a passagem e me sentei no fundo, já havia lugares vazios e meu ponto se aproximava. E realmente não acreditei quando um jovem se sentou atrás de mim, após seu celular tocar e ele o atender, desenrolou o assunto:
-Pô cara, amanhã eu não vou, não consegui comprar ingresso pro primeiro jogo (silêncio) Tá, vê se alguém arruma um pra mim e me liga.
Amigos, que talvez nem leiam mais este blog por ele ter se tornado meu caderninho de rascunhos alvinegros, alguma coisa está para acontecer, e eu espero que amanhã seja o início da libertación de mais um grito cheio de orgulho e amor.
Vai corintias!
Ps: até por que, se não for assim, segue o que disse o rapaz sobre destruir o que houver pela frente.


*em São Paulo muitos ônibus tem portas dos dois lados, pois, em muitas linhas, há paradas dos dois lados da rua: nos corredores centrais e pontos à direita.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Escalação.

Segunda feira o Mano divulga os 25 jogadores que defenderão o manto do Corintias na Libertadores que se inicia quarta agora. Se essa lista for divulgada ao vivo, igual fazem com a seleção às vésperas da copa, tenho certeza de que o Corintias dará mais audiência.
Eis o meu Corintias para esta Libertadores:
Goleiros:
Felipe, Júlio César e Rafael Santos (se forem 3);
Laterais:
Roberto Carlos, Escudero, Alessandro e Balbuena (preferia Silvinho, André Santos ou Kléber ao Escudero!);
Zagueiros:
Chicão, Willian, Paulo André e mais um, só não sei quem (Henrique? Célio Silva? Anderson? Fábio Luciano? Ditão?);
Volantes:
Edu, Marcelo Mattos, Ralf e Jucilei (este setor me preocupa um pouco, e caso sejam apenas 2 goleiros, adicionaria aqui o Boquita);
Meias:
Tcheco, Danilo, Elias, Defederico e Morais (embora eu não goste do último, mas serve pra prender a bola e como reserva para os três primeiros);
Atacantes:
Iarley, Ronaldo, Jorge Henrique, Dentinho e Souza (o Souza como reserva do Ronaldo, e o Dentinho podendo jogar recuado).

E vai Corintias!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

quarta feira de cinzas.

Na terça feira que precedeu o carnaval minha mãe trouxe a notícia "a mãe de um amigo da sua tia tem uma pousada e não conseguiu alugar todos os cômodos pro carnaval e vai fazer preço de fora de temporada pra nós, vamos?". Na hora respondi que sim, eu estava doido pra ir à praia, ficar boiando no mar queimando as axilas e o lábio enquanto penso na vida. Que foi o que fiz durante o carnaval, e que me fez bem, eu acho.
Se tratava dos confins de Ubatuba, no exato ponto entre o centro de ubatuba e paraty, esta última, cidade pela qual sou apaixonado, não sei bem por que, mas me sinto muito bem andando por lá, como pude fazer em dois entardeceres. Mas não é disso que vou falar.*
Ai pensei, na terça feira anterior ao carnaval, 'bem, pode ser uma boa fuga do carnaval, uma boa forma de 'botar' os miolos um pouco em ordem, passar um tempo com minha vó, minha tia, minha mãe e tudo'. E ai meu aniversário cairia na quarta feira de cinzas, a qual costumo chamar de "quarta feira de luzes", pois pra mim, o fim do carnaval remete a poder sair nas ruas e ver as luzes, sem ser importunado por esta festa que me chateia tanto.
Este ano assumi como quarta feira de cinzas mesmo, conforme disse para alguns "finalmente o dia do meu aniversário combinará com meu estado de espírito".
Mas a quarta feira de cinzas chegou, fui dormir depois da meia noite, o que garantiu o primeiro "felicidades" dado a mim ontem na forma de um gostoso abraço da minha avó; acordei com minha tia me dando beijos na bochecha e com minha mãe vindo me dar um forte abraço. Em suma, chegou a quarta feira de cinzas e meu estado de espírito estava mais pra dia de luzes mesmo.
E ai eu decidi que é hora de começar a viver com menos areia nos olhos, pois já entrei no contexto daquela música do Fábio Jr. que o Raimundos regravou, "vinte e poucos anos"...

*falarei sobre as idas a Paraty na próxima postagem, em uma destas tive o prazer de zoar, levemente, uma pessoa pública/famosa pela qual tenho grande ódio.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Uma banda que não mando passar...

Já fiz uma postagem inteira sobre essa banda, talvez tenham sido duas, enfim. É o tipo de banda que meu pai me ouve ouvindo e diz algo como "você ainda ouve essas bandinhas?", e eu reconheço, não há nada de grandioso neles, nem nada de inovador, a maioria das letras é sobre aquela coisa romantiquinha que nos inunda os ouvidos e o cérebro desde o Elvys. Mas eu gosto, o som tem uma levada que me agrada, e pergunto, só é bom se inova?

Aliás, estou falando do Snow Patrol, banda irlandesa considerada “para meninas” por alguns.

Acontece que ontem, no ócio das noites aqui em São Paulo, fui surpreendido com um fragmento de show deles no multishow (6 ou 7 músicas, as mais populares). Em outros dias já havia sido surpreendido com programas deste tipo, em outros canais. São sempre as mesmas músicas selecionadas, o que me incomoda um pouco, visto que, além de limitar o que se ouvirá da banda ao vivo, as minhas preferidas nem aparecem nestes programas.

Passei então aqueles 40 minutos puramente assistindo, com a cabeça imóvel, apoiada no braço do sofá, e observei algumas coisas que me chamaram a atenção: os caras da banda, que não são adolescentizinhos sem barba como o Cine ou o Restart, acredito que já tenham passado dos trinta; e nada de maquiagens, penteados elaborados, roupas fantasiosas ou esculturas no palco, apenas o básico: os músicos, a aparelhagem e um telão no fundo, este último, o grande luxo, penso eu.

O vocalista, e as suas expressões faciais, ganharam muito a minha atenção, posso estar sendo muito inocente, mas ele toca com um ar de satisfação que me fez pensar "puxa vida, será que ele está mesmo tão feliz por tocar para esta multidão que canta suas músicas em coro?".

Gary Lightbody (acabo de descobrir seu nome) ergue os braços quando não toca a guitarra, e canta sorrindo, e olha ao seu redor, e sorri, e quando a música acaba continua a sorrir, e não é um sorriso amarelo, daqueles de quem tem que sorrir, é um sorriso aberto, "orelha a orelha". Independentemente disto tudo, gosto muito das músicas da banda, sobretudo dos dois últimos cd´s.

E acho que finalmente posso dizer que gosto de alguma banda de rock que está na mídia, está na ativa e não está morta, empoeirando na história da música. O resto (do power pop às “cantoras” dançantes, do Maroon 5 ao Tokyo Hotel, da Lady Gaga ao Paramore) eu passo.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Old School (literalmente)

Ai um professor da época do colégio me ligou em casa, conversou comigo e pediu que eu viesse encontra-lo no colégio quando fosse possível. Marcamos hoje, as 9 (noto que já são 09:09), fosse eu o Alex...
Bem, cheguei cedo, vim com a minha mãe, no mesmo ritmo de quando eu estudava aqui: ela parou o carro há uma quadra, viemos andando em silêncio. Ainda em casa, acordei, comi um pão com queijo, tomei um café com leite, me troquei. Passei pela porta, o carro já estava na rua com ela e minha irmã dentro. Tudo tão igual a como era até 2006.
E ai logo que cheguei perto do colégio o porteiro já me reconheceu, veio me cumprimentar, perguntar como eu estou... O que se repetiu quando entrei na biblioteca, quando fui tomar água e encontrei as moças da faxina, os rapazes da manutenção, os professores, a coordenadora de alguma coisa que não lembro bem o que.
Acho que me fez bem vir aqui hoje, encontrar um espaço tão familiar e, ousarei, acolhedor. Ver que as pessoas do meu antigo cotidiano ainda se lembram de mim (será que eu era assim tão mais carismático do que esse negócio que vive hoje?), ver que o espaço, apesar das reformas, ainda é aquele em que, dentre muitas outras coisas vitais a mim, nasceu o 'Coiso'. A última vez que eu havia vindo aqui fora em 2008, mas não conta, por que era dia de festa e não dia letivo, como hoje, em que o ritmo destes corredores (as portas azuis de aço e etc) me lembram tanto o ritmo ... (suspiro) daquele tempo.

ps: o título, como se nota, é um trocadilho com o tema por vezes tão pensado neste espaço do "old school". Acho que mais literal, impossível.