domingo, 31 de janeiro de 2010

Ser adulto...

Ai alguém disse:
-Bem, vamos na casa da vovó pra não ter que aguentar os vizinhos ignorantes.
E ai alguém complementou:
-Puxa, vamos mesmo, eles são muito ignorantes!
Ai eu questionei:
-Vamos sair da nossa casa por que o vizinho é ignorante? Isso é um absurdo. Vamos ficar aqui e ser tão ignorantes quanto eles, ou até piores! Eu sinto que hoje o jogo é nosso, e foda-se eles, estamos na nossa casa!
Ai o primeiro sujeito retrucou:
-Gabriel, você tem que deixar de ser criança.
E ai eu perdi a cabeça e a razão respondendo:
-Vai te foder caralho, tá abrindo mão de ficar na sua casa por causa de um cu? Tá sendo infinitamente mais ignorante.
Quando, na verdade, deveria ter respondido, ludicamente:
-Se ser adulto é baixar a cabeça pros outros e aceitar que acabem com minha individualidade, paz e espaços, prefiro mesmo ser criança.

Enfim, chupa porcada!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Médico.

Era um apartamento executivo em prédio dentro de uma galeria no centrão:
-Oi, olá, bom dia, tudo bem, qual o problema?
Calmamente fechei a porta, coloquei minha bolsa em uma cadeira e o cumprimentei, esticando a mão: "bom dia, tudo bem, e o senhor?".
-Sim, qual o problema.
-Eu to preocupado por que tem uns calombos na minha cabeça...
-Senta ali. Teve alguma infecção ultimamente?
-Dentes do ciso, em...
-Isso basta - passou a mão em uma bolota, perguntou aonde estava a outra, passou a mão - é só uma inflamação em um gânglio normal, é resultado desta infecção. Nada de mais, tudo bem?
-Tudo, eu tava com medo que fosse câncer.
-Linfoma - acho que foi isso que ele disse - de câncer é duro e imóvel, isso ai que você tem é mole e se move.
-Hum.
Perguntei algumas coisas, ele percebeu que não ia se livrar de mim e começou a dar explicações mais especificas, usou nomes complicados e me entreteu por alguns minutos.
Pelo menos ele já tinha dito que não era nada de mais.
Fez mais algumas perguntas, dentre elas se eu fumo, se estava em dia com meus exames, disse que não estava nem "em mês" com eles, mas o doutor não achou graça. Escreveu o que eu devo fazer de exames em uma folha do convênio e esticou a mão para se despedir. Perguntei:
-Mas com relação às bolotas, o que faço?
-Não faça nada. Esqueça que elas existem!
-Mas eu sinto dores.
-Ótimo! É sinal de que seu metabolismo está agindo contra uma infecção.
-Tá bom. Eu marco retorno?
-Só pra eu avaliar os exames.
-Certo. Bom dia.
-Sucesso.

Não bastasse a consulta pifia, o sujeito se despede de mim dizendo "sucesso".

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Chuva.

Cheguei em São Paulo, mais uma vez. A viagem até Osasco, cerca de 435 quilometros, durou pouco mais de 5 horas, a viagem de Osasco até onde desço em São Paulo durou uma hora, cerca de 15 quilometros. O que já se permite uma noção da coisa.
A cada curto passo que o ônibus dava em uma Marginal Tietê cheia de obras, parecia que nos aproximávamos de entrar em uma diluviosa nuvem escura e trêmula, cheia de luzes prateadas de raios e tambores raivosamente rufando em trovões. Credo. Chega logo, pensei.
Desci do ônibus e encontrei minha mãe de carro, havia começado a chover no instante em que desci do ônibus (exatamente). Ela fez um retorno, cruzamos a ponte e, ao chegar do outro lado desta, a avenida comaçava a alagar, viamos a água do córrego, no meio desta avenida, vazando para o lado dos carros. Poças enormes haviam se formado, já não se via o que era rua e avenida. Não havia decorrido se quer dez minutos de chuva.
Minha mãe entrou numa rua e começou a subir, passávamos por verdadeiras enchurradas. Uma escada de concreto, ligando uma rua a outra me lembrou o clipe de "come as you are", tamanha era a água que corria por lá.
O caminho para casa estava bloqueado, em certa rua, imprescindível para que chegássemos em casa, água por todos lados. Ela manobrou o carro, entrou em uma rua sem saída, mas que era uma altíssima subida. Por lá ficamos mais ou menos uma hora, até que a água naquela rua baixasse e pudessemos ir para casa.
Não achei que usaria do raciocínio hollywodyano de "subamos uma montanha para fugir desta catástrofe da natureza", mas foi o que ocorreu. Diversos carros subiam a mesma rua e se refugiavam da fúrias das águas no alto daquela 'colina'.
Credo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Instrumentos coercitivos.

Instrumentos coercitivos são fatos consumidos cotidianamente, penso eu. Não acho isso legal.
Mas às vezes, e sem perceber, acabo coagindo alguém, reprimindo. E ai não estou cumprindo nada mais do que a função exercida por tantos meios que existem por ai, que disfarçam o 'negar algo' com um 'oferecer outra coisa'.
Como criança, que quer por que quer algo que os pais acham errado, e ai os mesmo dizem "papai não te dá isso que você quer, mas te dá esse outro". E a criança aceita, e se cala.
Instrumentos coercitivos, acho que terei mais cautela para não ser novamente apenas mais um destes. Seja para mim mesmo ou para aqueles ao meu redor.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

...pensando...

ai hoje cedo um jovem que estudou comigo no colegial me chamou no emi eci eni. Não conversamos muito nem nada, o habitual "e ai, o que tá fazendo da vida". Fiquei pensando mais a fundo, lembrando de muitas coisas que aconteceram/aconteciam no corredor da escola.
Eramos "alunos problemas", eu por algumas razões e ele por outras, mas volta e meia estavamos lá, batendo cartão na sala do coordenador, que, incrivelmente, gostava de nós (e de muitos outros "alunos problema"), eu tinha a impressão que às vezes ele até preferia gastar um tempo conversando com os problemas do que com os redondinhos (que respondiam "sim senhor" e tiravam notas boas).
Enfim, naquela época eu realmente acreditava que talvez eu fosse um problemático (para a ótica que colocavam lá), que seria um merda (de outro tipo que não este que sou) e que não sabia nada e jamais saberia.
Hoje eu compreendo que tudo aquilo, aqueles anos de sofrimento (conforme colocado no "miss sunshine"), aqueles anos em que eu parava pra pensar "porra, eu não entendo isso. jamais entenderei nada de útil", eles realmente conseguiram fazer com que nos julgassemos isso alguns anos.
Felizmente, e talvez esta seja a única luz clara, benéfica e positiva que me ilumina hoje, eu entendi que aquilo, que aquela forma de lidar com as coisas é só uma brincadeirinha, levada a sério por quase todas as escolas e "empresas" dessas quebradas aqui e destruindo a vida de muita gente.
ps: sou um problemático, mas é uma questão de ordem não-escolar; embora este comportamento doentio tenha se iniciado na época e dentro daqueles muros.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

3 pontos.

1)Realmente não gosto de viajar de madrugada, não durmo direito, os barulhos no ônibus me incomodam e etc. Porém, desta vez, a coisa foi pior. Cagão que sou, e ainda mais quando alguém cola em mim, e não descola por nada, e fica questionando quinhentas coisas, eu realmente bambeio as pernas. Mas acho que consigo me virar bem. Porém, decreto que só viajarei a noite novamente em casos extremos, como foi nesta última terça feira. Foi tenso.
2)Bem, já em São Paulo, me preparei para ir encontrar o grande alvinegro, primeiro jogo do centenário e despedida do meu grande herói de criança, o Marcelinho Carioca. Fui pra lá num ônibus com gente pendurada em tudo quanto era canto, cantando "vô mata porco, vô mata bambi", mas na hora em que o buzão passou na frente da uniformizada da porcada, tive a impressão de que a disposição daqueles jovens acabou. Aliás, e devo colocar, em alguns instantes senti naquela situação, ônibus e estádio, um prazer antropólogico maior do que o prazer, digamos "alvinegrológico". E ai começou a chover, já estava 3x0, a torcida inflamada, cantávamos "lelelelelelelele, timão eô" de forma eufórica, pulando, nos debatendo, sorrindo, escorregando por causa da água e então percebi: "começou o centenário, é o nosso ano. também se não for, quero ver segurar essa massa". Foi bonito.
3)Sai do jogo, todo molhado, com a regata do corintias (companheira de jogos desde 2002, quando a ganhei de minha mãe), comi um pão com pernil, uma coca, e fui caminhando até a puc, para a "colação de grau" de minha irmã. E ai era lá, jornalismo e letras se formando. Sabe que, mediante os discursos de alunos, professores e diretores me senti até um revolucionário? São engraçadas as demandas de luta de quem estuda em universidade particular e esta lá agradecendo aos pais por terem gastado muitos reais por mês durante 4 ou 5 anos. Ouvir uma jovem dizer que "apesar de tudo, não podemos nos considerar uma elite". Foi engraçado.
ps: "ressignificação do conceito de dia útil: é aquele em que o corintias joga".

E enfim, um dia de 48 horas acabou e eu pude simplesmente me deitar e dormir.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

(...)5a.

Nem um nem outro.
Sinto-me na verdade como o anti herói da minha geração, por uma lista de fatores.
E anti-herói de mim mesmo por uma outra lista de fatores.
(não que uma elimine a outra).
(e não que ambas sirvam para que eu me elimine).
(mas quase).

Já começou o centenário.

domingo, 10 de janeiro de 2010

(...)5.

Cutuquei o nariz, e parei para pensar: nesta manhã, será que sou o mártir da minha geração?
Bom dia.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Sai Zica!

Quando estão atacando contra o corintias, eu sempre grito "sai zica!".
No começo eu gritava só quando o outro time avançava perto da nossa área, com o passar do tempo fui aperfeiçoando a superstição, e hoje quando o outro time pega a bola eu já me precavenho com tal frase.
Há coisas que atraem a zica, como, por exemplo, gritar gol do corintias antes de ser gol, não pode. Já tive problemas com isso dentro do estádio (e dentro de casa também). Há setores da torcida em que gritar gol antes de se-lo é uma constante, o que me irrita. Gritar gol antes de a bola passar pela linha faz a bola não querer passar pela linha. É zica!
Bem, falei e falei para expôr uma situação complicada e subjetiva: queria eu saber quando a bola (de fogo) adversária se aproximasse da minha área (ahn, eu e meu pobre coraçãozinho) e poder gritar sai zica, e ai dar um passo ao lado e me afastar de mais um tormenta.
Para todos os efeitos, sai zica.

Ps: no Reveion uma moça disse "coiso, come sete uvas pra dar sorte", olhei aquele punhado de bolinhas verdes e disse "minha religião não permite, se elas fossem pretas e brancas eu comeria. Já começou o centenário!".