sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

reveion.

Desde que comecei a compreender as coisas a partir de meus olhos, sou crítico à esta idéia de ano novo, não ligo, não dou moral, não consigo separar as coisas de um ano para outro em apenas um virar de meia noite, acho que ninguém consegue, mas eu não consigo nem considerar esta idéia, mesmo que falsamente; de lá pra cá, nunca concordei com a moça ao lado de Forrest Gump no bar em Nova Iorque, que diz o ano novo não é maravilhoso? Todos ganham uma segunda chance.

O reveion de 2004 para 2005 representa muito para mim em termos desta compreensão crítica, estúpida, mas crítica acerca desta festa e sobre o nosso calendário romano. Mais ainda, o ano de 2004 que acabava marcara-se por um importante processo de racionalização meu sobre mim e o mundo; meus 15 anos foram quentes e tensos, e eu sabia que 2005 me guardava coisas importantes, como vivi e guardo até hoje (algumas eu ainda nem compreendi).

Você me encontra nesta foto do reveion 04/05.

De lá pra cá enfiei a cabeça no balde da criticidade, em todos os aspectos de minha vida: desde a música que eu ouço, a camisa do corintias que opto vestir (sim, minhas escolhas neste aspecto também perpassam meu senso crítico), até as minhas escolhas profissionais. Porém, cai naquele convite endemoniada e pernicioso da crítica, e realmente me afoguei neste balde, sinto que perdi o ar seguidas vezes sentindo-me sufocado, chegando a ter breves desmaios.

Sai para comprar pertences para mini cachorro quente, para uma pseudo ceia a ser realizada com amigos da época do cursinho, que não vejo desde o último pseudo reveion; devo salientar que me aproveito desta data meramente para estar com amigos. Caminhando até um supermercado paulistano, tomei a decisão de, hoje, levar a sério a proposta enganadora do ano novo: vou me apegar à idéia de que a contagem de 365 dias que se inicia à meia noite de hoje fará toda a diferença, no sentido de mudanças positivas, vou vestir o personagem, não vou de branco, mas vou acreditar que, por conta desta meia noite (atrelada à minha incrível e forte vontade de me equilibrar) alcançarei meus objetivos, sejam eles quais forem.

Falando no português claro que costumo evitar aqui no blog, enfio a crítica no cu, e cago um feliz ano novo a todos nós (por mais falso que possa soar).

Ps: nos últimos anos estamos sofrendo a lavagem cerebral de que temos que fazer tudo pelo meio ambiente, sou crítico a isto também, e não faço o que chamam de “a minha parte”, sabe por que? Por que ai chega no dia 31 de Dezembro e a melhor festa é a que causa o maior dano ambiental, com os tais fogos de artifício.

Ps1: essa bosta de blogspot tá desconfigurando o texto, se você chegou aqui, isto é, superou o fato de cada paragrafo estar de um jeito, me perdoe.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

plano furado.

deparei-me novamente com aquele cd recheado por escritos pela metade, idéias a desenvolver e pretensões juvenis.
bosta, hoje não, tenho trabalho por fazer.
pagando de poeta clássico, respondi:
minh´alma não se inquietará,
o trabalho mais pra frente,
novamente ficará.

Quantos planos furados nestas linhas escritas,
E tenho medo de quando repetir este exercício, daqui a dois anos.
bosta.

ps: texto postado e link colado no tuiter;
mais um plano (este prático) comprova-se furado;
nick cave ilustra.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

não sei ao certo do que se trata;

não sei se quero saber;

não sei se quero abstrair;

não sei se vale a pena não conseguir dormir;

não sei;

vivendo, passando e sentindo tantas e tamanhas incertezas, encontro certa síntese que permite certo respirar:

não deixe que se quebre a magnitude do limitar.

será que conseguirei dormir?


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Crime.

O jovem, conhecido como Manolo, entrou na cozinha no silêncio da madrugada, apenas mais uma em que se dedicava à não prática do sono e o desenvolvimento de sua concepção bacanista sobre trocar o dia pela noite.
Estava com fome, havia jantado um prato de arroz com frango em tiras por volta das 20:31.
Abriu a geladeira uma vez no intuito de comer um sanduíche, e fora surpreendido com pertences para mini pizza. Hum, pensou ele.
Começou a criar uma mini pizza: molho de tomate, presunto, queijo em fatia, queijo ralado, batata palha e orégano.
Azeitona, pensou ele.
Abriu a geladeira, azeitona não havia, fechou a geladeira e ouviu um trumck.
Tornou a abrir a porta, e eis que se deu o crime: o pote com a berinjela cortada em cubinhos, destinada a se tornar berinjela com azeite e tomate para ser comida com pão, veio ao chão.
Os cubinhos correram de impacto ao solo, misturando-se com os pêlos de cachorro, as sujeiras trazidas da rua e do quintal para dentro de casa.
Agora era tarde, não adiantava chorar a berinjela derrubada: o crime já havia sido cometido.
Restou a Manolo, ocultar o cadáver.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

pronto.

Uma das poucas coisas do ensino religioso que tive na escola e que carrego comigo, e em mim, é uma idéia metafórica de equilíbrio: quando uma balança tende muito para um lado, depois há de se fazer ela pesar mais para o outro extremo, para que depois se possa chegar a alguma prática equilibrada nesta/desta. De certa forma acredito nisso, embora seja notavelmente desequilibrado (tinha um exemplo com pilares, mas não lembro).

Parei de escrever minha coluna de amanhã do Templo da Bola e fui até a cozinha pegar mais meio copo de refrigerante e uma pedra de gelo. Ao balançar a forma de gelo para que os cubinhos se readequassem aos respectivos espaços, tive aquela percepção.

Acaba sendo impossível não refletir sobre os ultimos 11/12 meses quando chega nesta época do ano, dezenas de signos externos me conduzem a este tipo de pensamento retrospectivo. E, não entendi, e nem quero entender o por que, mas essa compreensão retrospectiva e, até certo ponto, uma resolução futura, me veio com os gelos citados.

2009 foi um ano ocioso; cabeça vazia oficina do diabo, e dai pra baixo. Quem conviveu comigo no ano passado (demarcando 'ano passado' de março de 2009 à maio de 2010) entende os diabos que me permearam e que deixei entrar.

Considerando a filosofia judaica, talvez sem perceber, pois não me recordo de ter pensado "puxa, vou reverter o extremo", este 2010 começou em maio (o reveion foi dia 22) e ainda não tem previsão de final, pode ser fevereiro, março, vai saber. Chuto que será em fevereiro. Mas este ano ainda inacabado foi cheio, ocupado, por mim, eu o preenchi, eu o enchi, eu o tornei este ar sufocante insopurtável que parece não se cansar de me deixar respirar um pouquinho pra retomar a consciência e depois voltar a tampar minhas narinas e minha boca por dois minutos.

Eu peguei 8 disciplinas para cursar no segundo semestre, eu me dispûs a auxiliar na organização de eventos, eu me coloquei a disposição para muita coisa, diferentemente do citado 2009; e fiz, e cansei, e não aguento mais; assim como ao final de 2009, eu também não aguentava, mas por um extremo completamente outro que o exibido a alguns minutos pelo gelo.

Acho que estou pronto para me equilibrar. deus, dá uma forcinha ae Manolo.

Resmungando.

sim, resmungo, reclamo, torço o nariz, questiono; sobretudo, retornando: resmungo. e muito.
neste final de semestre, sim, por que esta é a categoria que tem mensurado a minha vida de 2008 pra cá: semestre, o primeiro e o segundo, de vez em quando fala-se em ano; normalmente, no meu caso, para atenuar, acentuar e, até, justificar o resmungar. a verdade é que quando me programo para chegar em uma quinta feira, final de semestre, dormir até as dez, me lembram na véspera de que tem aquela coisa as 9 da manhã; e ai quando estou pronto, vinte pras nove, para sair de casa, me avisam de que ela foi desmarcada. e ai eu volto pro colchão saboroso (oso), mas não consigo retomar o sono para mais uma hora e vinte de descanso desacordado. fico pensando no que aconteceu com a minha prova de teoria antropológica II. e resmungo mais ainda.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Título.

Dialogando com as imagens de final de ([mais] um) ano (conturbado).

Oito de Dezembro.
Dezessete horas redondas em meu telemóvel; sai de casa às dezesseis e trinta para buscar o meu remédio Rede Globo: manipulado e manipulador (sobretudo do meu humor e relações) ; cravadas cinquenta e quatro horas sem ele em minhas conexões nervosas.
Na região comercial do centro as pessoas (não que eu não seja uma pessoa) aproveitam este feriado extraordinário para realizar extraordinariedades (isto é, coisas que fogem do cotidiano explorador do trabalho opressivo, como se diz): passear com a família; sacolas e sacolas em lojas e lojas; algodão doce servido pelo palhaço na loja de um e noventa e nove (onde eu estava em oito de dezembro de noventa e nove?).

Ouço aquela banda que canta "sobre aquele tempo, em que se dizia estou certo";
À minha esquerda, em frente à um tosco presépio, um casal de jovens (do colégio em que fiz estágio) namoricam-se;
À minha frente a câmara municipal decorada para as tais festas desejosas de serem boas;
À minha direita um papai noel grande e gordo (não menos tosco do que o presépio) feito de fibra de vidro tem as botas brilhantes.

Outrora, isto é, quando me encontrava bem manipulado:
-Brinquei de reprodução vulgar com o papai noel;
-Debochei do presépio;
-E elaborei jocosidades elogiativas a partir da câmara municipal.
Tomo um refrigerante burguês, aquele que quase matou de susto a mãe de Alexander na Berlim de noventa; ele me dá tanto sentido debaixo deste sol.
Saí de casa com a minha câmera no bolso, mas alguns olhares durante o caminho me inibiram de fotografar (gabriel, eu sei que você não passa de um paulistano cagão).

Tenho que estudar o cara do diário de um detento.
Falar sobre futebol por duas vezes até segunda feira.
Dar conta de um outro que fala alguma coisa sobre dinheiro.
E outros mais que observam organizações humanas (sabe-se lá onde).
Eu sei que no caminho de volta para casa me depararei (e me emocionarei, pois certamente era algo próximo disto que eu realizava em oito de dezembro de noventa e nove) com crianças aproveitando o horário de verão e os corredores de vento desta cidade para soltar pipas, até por que, é oito de dezembro.
Eu sei que vou chegar em casa e o lado divertido do gramado de Berlim continuará sendo o ocidental, pois o oriental encontra-se delirante (como ainda ocorre com muitos [em sentido literal] desta escolinha, o que me faz estar aqui neste oito de dezembro ouvindo e pensando se "mudar o mundo será apenas mudar o mundo de lugar").
Cinquenta e quatro horas e doze minutos depois, concluo que ser um ser produto desta manipulação específica (de onde vem a confiança nesta relação para com todas as outras? como é possível acertarem tão bem na receita?) tem as suas vantagens; por vezes, incentiva o catapultar de um sorriso besta, talvez bestial, talvez bestializante; talvez apenas impede sua reversão, e nos últimos trezentos e quarenta e dois dias (para seguir o modelo romano; e não ignorando os trezentos e sessenta e cinco anteriores) é o que tem importado.

domingo, 5 de dezembro de 2010

em meio a tanta coisa,
tanto amparo,
tanto sem pensar,
tanto parar,
tanto tudo,
por oferecê,
por recebê.
em meio a tantas imagens,
marcantes,
nestes olhos detalhados,
[a magnitude do limitar],
exposto osto,
sem limites.
penso apenas força,
por oferecê,
por recebê,
por vivê.
força.
força.
tem que tê.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pontualidades.

Tinha que escolher um curso, uma faculdade, uma universidade, uma formação profissional para levar adiante na minha vida, devendo ser o meu ganha pão no futuro/presente e, se desse sorte, ser uma boa fonte de prazer, interesses, gosto, e outros termos tomados aqui como positivos; se não de prazer, no mínimo que não fossem criadores de estress, de depressão, chateação, chamas nos olhares e coisas do gênero, compreendidas aqui como negativas.
Portas fechadas, portas abertas, cheguei aqui, aonde construo essa coisa toda, grande parte das vezes cansativa, chateante, as chamas se acendem frequentemente, e até alguns resquicios/vestígios/sintomas/aparecimentos, etc de depressão. O que não quer dizer que, no fim das tardes, eu não tenha os meus gostos saboreantes de prazer, em pequenos vicinhos leve e brevemente aliviantes dos estresses; e/ou em pequenos prazeres, únicos em finais de tardes chuvosas, adocicando-se/me (...).
Questiono-me, desde antes do começo desta brincadeira, se a escolha estava certa, às vezes penso que vim pra área errada, às vezes me dão quase certeza disso, às vezes penso que vim pra casa errada; às vezes me frustro mais do que chateio ou saboreio.
Mas o que importa mesmo é perceber que a área é tão grandiosa, e abarcadora de tantas, tamanhas e diversas subjetividades, algumas que compreendem existir apenas uma maturidade, outras que compreendem existir apenas uma forma de respeito, ou mesmo uma forma única de subjetividade (a salientar: a sua), como exemplos.
E ai, no frigir dos tensos ovos em tardes acalouradas, percebo que, apesar de tudo (e coloque tudo neste tudo), eu gosto de estar aqui fazendo as coisas dessa forma, e entendo, me perdoe se isto soa desgostoso, mas a minha subjetividade também faz parte desta brincadeira que desenvolvemos juntos.
Ps: e que se lembre a minha angústia não cabe nesta pauta de greve.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Disposição/Recuperação.

Acordei nesta segunda feira, dia 29 de Novembro, com uma extrema e intensa vontade e disposição para estudar o que tenho a estudar; colocar a bunda na cadeira e socar a cara e o cérebro nessas coisas que devo ler, pensar, refletir, escrever etc. Antes disso, dei um tempo para passar um pano na cozinha, e eis que uma reflexão, quase nostálgica, me trouxe à mente uma irônica lembrança, com ar de coincidência.

No colégio em que estudei por longos anos de vida, a última semana de Novembro era marcada por ser um divisor entre as aulas regulares e o período da recuperação, no qual, independentemente das suas notas durante o ano, deveria se chegar ao final de duas semanas, e duas provas, tendo uma média 6 em cada disciplina; praticamente um coração de mãe.

A organização e reunião quase maçônicas, ditas conselho dos professores, ocorria nesta última semana de Novembro, lá pela terça ou quarta feira, e na quinta ou sexta fixavam no mural da escola a lista dos alunos aprovados, a lista das disciplinas que cada qual cumpriria na recuperação, bem como a possibilidade da temida frase “conversar com o coordenador”, indicando reprovação. Era um período levemente tenso, facilmente superável pela tensão do aguardo de uma nota de métodos sociológicos que pode ferrar com o currículo, que, por sua vez, será facilmente superável pela frustração de não passar em uma prova desejada de mestrado.

Bem, retornando à última semana de Novembro e a escola. Da quarta série em diante eu fiquei de recuperação todos os anos, em, no mínimo, três matérias, com alguns anos tendo pego quatro disciplinas, e em outros anos sendo aprovado por conselho em uma ou duas outras. Fato é que a segunda feira da última semana de Novembro sempre foi marcada por acordar em um dia sem aula e dizer/pensar: “é isso, vamos começar a estudar...” (até por que, eu já sabia em quais matérias eu ficaria de recuperação).

E então o ano letivo, de estudo concentrado, começava para mim, para terminar dali três semanas.

Hoje, acordei com essa vontade de estudar, não pela recuperação, mas pela vontade mesmo.

Ps: os professores mais clássicos (talvez representantes da escola falida que alguns textos da licenciatura dizem) devem se assustar ao me imaginar gostando de estudar, visto que o que eles compreendem como estudo pra mim sempre foi um grande finge, passível de ser contornado dando um balão nos duzentos dias letivos do ano, e tocando em frente em pouco mais de dez dias de recuperação. De modo que este texto poderia se chamar como venci a escola.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Dedão.

Erguer o dedão, sinal de positivo, cumprimento, saudação, jóia, simpatia etc.
Tenho um sério problema com meu dedão.
Não com meu dedão em si.
O problema está mim,
Como não deveria deixar de ser.
Os dias às vezes sobem.
Os dias às vezes descem.
Os dias às vezes sobem e descem.
Sobe os desce dias sobe às desce vezes sobem ou descem.
Quando sobe tenho o problema com o meu dedão.

Fico mais simpático do que político em final de Setembro.
Fico mais simpático do que jogador em final de Título.
Fico mais simpático do que nadador em final de Piscina.
Fico mais simpático do que professor em final de Semestre.
Fico mais simpático do que médico em final de Cirurgia.

E erguo meu dedão,
Para qualquer mínimo conhecido
Que por mim passe.
Ai,
Dói o meu dedão,
De tanta simpatia.

sábado, 20 de novembro de 2010

Consciência Negra.

Fui fazer um café pra ver se pego no tranco, olhei pela janela e vi uma vizinha chegando em casa, ai pensei "ê mocoronga". Me lembrei então de uma passagem de minha vida que combina com mais uma data plástica e à serviço da ordem, como esse "dia da consciência negra".
Foi em 2004, costumava sair da aula às sextas e ir pra Galeria do Roque, aonde sempre me encontrava com alguém, ou alguéns.
Em uma destas ocasiões eu perambulava por aqueles corredores escuros, à época, sem seguranças ou roupinhas coloridas, quando parei para olhar a vitrine de uma loja muito bem freqüentada com mensagens pacíficas de harmonia por todos os cantos.
Por trás do vidro da vitrine se via: uma pequena prateleira com diversos tipos e modelos de socos ingleses; cuturnos de cores e tamanhos distintos; facas dobráveis e portáteis; tchacos japoneses (é assim que chama?); acessórios militares diversos; livros (que certamente não eram do Ghandi); um taco de beisebol preto com uma cruza vermelha na ponta, e alguns outros produtos básicos para pacifistas em geral que a memória não me permitiu recuperar (e eu não anotei naquele caderninho que já andava sempre comigo).
Recordo-me de ficar um bom tempo parado na frente da vitrine observando tudo o que nela havia, quando três mulheres negras, vestindo roupas curtas se aproximaram da mesma vitrine e, consequentemente, de mim.
Indiferente, continuei olhando os produtos que as crianças de classe média pediriam no natal, quando uma das mulheres colocou o dedo no vidro, apontando a prateleirinha com os socos ingleses, e disse alto:
"esse negócio de dedo pra bater naquelas macaca preta da favela ia estragar".
Até hoje não consigo interpretar este fato, e achei curioso ele me vir à memória (e me fazer remexer meu primeiro caderninho de bolso) justamente no dia da consciência negra.

sábado, 13 de novembro de 2010

o "torcedor".

no recinto concentradamente corintiano, entrou um sujeito com camisa do cruzeiro de mãos dadas com uma criança vestindo camiseta do São Paulo. O que vestia a camisa amarela do time de Minas falou alto, para que todos ouvissem:

"Hoje sou cruzeiro, semana que vem sou vitória, e quem mais puder derrubar o corintias".

Um dos garçons me disse "é são paulino, vem sempre aqui".

O "torcedor" era espalhafatoso com as jogadas do cruzeiro, sempre olhando para os corintianos, como eu.

Moralmente pensei: "exemplo legal o pai está dando pro filho".

Quando ocorreu o penalti ele se levantou e foi na direção do caixa, tomou vaia dos corintianos e eu, com a força da minha corintianice gritei ao "torcedor": "hey freguês, não esquece a nota".

Irônia no futebol on the roques!

VAI CORINTIAS!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Emprestar as coisas.

Quando criança minha mãe me ensinou a emprestar as coisas com os amiguinhos, compartilhar o que fosse meu; na casa de minha avó havia uma série de coisas que não eram minhas ou suas ou dela, mas sim que recebiam a nomenclatura é de todos. Este todos pode ser analisado, refutado etc.
Reciprocamente, fui ensinado também a quando pegar algo emprestado cuidar e devolver como encontrei, às vezes usava-se uma lógica egoistíca/individualistíca para exemplicar este "cuidar bem", cuide como se fosse seu, e entregue do jeito que pegou.
Se o manolo da rua havia me emprestado um robô dos pauer rengers, eu deveria o devolver da forma como o peguei: com todas as luzes que piscavam, piscando, com todas as engrenagens que estavam quebradas, quebradas.
O tempo foi passando (como é lógica prerrogativa da vida) e eu fui me desapegando da forma extrema como a educação materna/doméstica/familiar se apegara em mim na infância. Experiências frustrantes com empréstimos não honrados, isto é, não devolvidos, me fizeram deixar de crer que emprestar as coisas pudesse ser realmente algo bom para o todos que os meus avós diziam.
Se eu me sinto prejudicado, já é um dentre todos do todo que não está feliz/satisfeito com o empréstimo.
Fui criando, e este processo não cessa, toda uma teoria sobre o que emprestar, a quem emprestar; verdadeiras categorias de objetos emprestáveis e não emprestáveis, pessoas passíveis de emprestabilidade e não passíveis, momentos em que emprestar é um ato bacana, tal qual fui educado.
Exemplo: na última viagem coletiva em que realizamos eu estava em uma situação que permitia, sem rodeios, a emprestabilidade de meu mp3 player e fone de ouvido, enquanto eu fazia zona, conversava, tocava violão etc no fundo do ônibus, um amigo mais a frente me pediu o equipamento citado. Quando o peguei de volta, após ser repreendido por alguns colegas por estar o tomando a força do amigos (após ele passar 2 horas ouvindo música) ele me devolveu a baratinha que toca música, ouvi duas ou três belas canções do Jair Naves e a bateria acabou, e o trajeto que eu faria contemplando a paisagem ao entardecer, ouvindo Araguari, se realizou num tédio negativamente silencioso.
Ontem, por conta de tudo que ocorreu ontem, acabei por emprestar o meu mp3 player e a minha câmera fotográfica (esta, no topo dos objetos não emprestáveis, mas que foi necessário deixá-la na faculdade).
O mp3 eu peguei hoje cedo, totalmente disforme daquele mp3 que deixei nas mãos do cidadão: ele estava funcionando, agora não está mais; a câmera eu ainda não tive de volta...

domingo, 7 de novembro de 2010

Instrumental.

Filmei a mostra de djez e instrumental de quinta a ontem à noite, cansativo por demais. A música é boa, mas ontem, na última apresentação, eu já estava cheio, clamando por ouvir um Ramones.
Estava atrás do balcão naquela casa que tantas vezes me proporcionou momentos de roque insano, mas o que ocorria era uma viola de 14 cordas e um piano elétrico. Estava cansado, por vezes cochilei.
Dado momento da noite, um jovem que destoava do padrão estético do público encostou no balcão com uma garrafa de cerveja. Vestia uma camisa pólo de uma marca de sãrfe, um boné de aba reta e bigode piscina (daquele que você vê o fundo).
Começou a papear com o responsável do bar, perguntou se lá só tem música assim sem alguém cantando. Um explicou ao outro que costuma ter roque também, mas que esta semana era só música instrumental. O rapaz disse ainda que prefere música cantada e que o irmão dele trabalhou na pintura da casa.
Pegou sua cerveja e disse que ia descer, que não curtiu o som.
Na sexta feira à noite, na mesma casa, membros integrantes de algo que me parece ser um partido, discutiam sobre aquele tipo de música ser elitista, não ser acessível.
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Anpocs 2010-III.

Piada com intelectual.

Em uma das manhãs em Caxambu a programação da Anpocs organizou uma bela mesa redonda, para meu desagrado, não tinha o Chico Lang, mas me agradou a presença de Renato Ortiz, um intelectual simpático, que eu já havia assistido falas na anpocs do ano passado (se não me engano), bem como na SBPC de 2008. Havia mais três rapazes na mesa, mas não me recordo o nome deles, sei que eram dois franceses e um outro, ao que meu ouvido registrou, brasileiro.

Bem, a mesa foi muito boa, a fala do Ortiz em especial, foi tão boa quanto as duas outras vezes em que presenciei o seu raciocinio sendo exposto.

Sai antes do final da fala do quarto jovem, minha cabeça já estava mais pra lá do que pra cá com tanta informação e reflexão. Andei pelo saguão do hotel, comi um bolo do coffe break, tomei um café e fui ao banheiro.

Após lavar as mãos me virei na direção da porta, a abri junto com um rapaz que entrava no mesmo, dei um passo para trás para não atropelá-lo, e pisei num pé atrás de mim, por reflexo, dei outro passo para frente e acabei por atropelar o rapaz que entrava e o que saia.

O rapaz atrás de mim me deu um toque no ombro e pediu desculpas, era o Ortiz, e então fiz uma piada com o intelectual: "desculpe a mim, que causei um atropelamento duplo: peguei o da frente e o de trás".

Ele riu.

domingo, 31 de outubro de 2010

Anpocs 2010-II


Passos medidos.

Desci do ônibus e fiz o mesmo primeiro trajeto que o realizado em 2009, desta vez, com calma, sem correr para fugir da chuva. Olhei o chão com calma, saboreei o odor da existência das éguas das carroças; levantei a cabeça e parei, olhei tudo que a vista alcançava ao meu redor, respirei fundo e soltei os ombros. Alívio? Ainda não.

Repeti os passos de um ano atrás, com certa cautela eu diria. Risquei no caderninho de bolso centenas de anotações distintas, sentimentos, percepções, reflexões, ex-embriaguezes, detalhes, minucias, reflexos, momentos, espaços; tem coisas que só o estímulo visual, associado à total rememoração, permitem à alma. Alívio? Ainda não.

Os dias foram passando, minhas posturas e existência naqueles espaços e momentos seguiam sendo as mais racionais que eu poderia conceber. Andar por este lado da rua ou aquele?, e eu me debruçava nisso, e fui capaz de fazer anotações sobre qual escolha e o por que dela.
O copo colocado em minha frente, eu virava.

Uma grande percepção sentado à mesa na padaria. Puxa vida, então foi isso, como fui estúpido!Faz todo o sentido com o todo. Tão burro! Fui até a farmácia e voltei, sentei, levantei, mais inquieto do que uma lebre que sabe será amordaçada e morta em um cubículo de um metro quadrado; vou ali. Fui e voltei novamente, me sentei, mergulhei trinta metros pro fundo do canto mais profundo do meu encanto enquanto percepção.

É apenas uma cadeira de padaria no sul de minas.

É apenas uma cadeira de padaria no sul de mim.

Tantos apenas e detalhes e penas em micro detalhes, precisaria ter 4 braços direitos, 4 caderninhos e 4 canetas para transcrever tudo o que me vinha em mente em muitos momentos; dividi as funções, sem o Toddy prossegui na busca por esta compreensão, que, confusa, por fim chegou, e rapidamente ganhou notas, cordas e tom.

Alívio? Foi o que senti.

...e nada mais vai voltar a ser como em dias que

meus passos não diziam nada...

doce desejo

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Anpocs 2010-I.

A conversa mais incrível da anpocs 2010.

Anpocs, explico aos amigos, é a associação nacional de pós-graduação em Ciências Sociais, e esta associação realiza um encontro anual no qual são apresentados projetos, pesquisas, são discutidos temas específicos e gerais, tudo ao redor destas tais ciências sociais.

Desde a primeira vez que coloquei os pés em uma universidade, e não era para jogar bola ou andar de bicicleta, me disseram “as conversas de corredor são os grandes momentos destes eventos, converse muito”; houve até certa vez que me disseram “o papo de bar será essencial na sua carreira acadêmica, mas como você ainda é menor de idade, então, está de fora deste papo”. Lembranças que me vêm em mente quando caminho por Caxambu, cidade do encontro da anpocs, e me vejo pensando por que fui parar ali.

Pois bem, de fato, as conversas pelos corredores, pelas mesas, pelos saguões de hotéis e bancos de praça são momentos muito proveitosos nestes encontros, a formalidade está suspensa e se conversa, com maior liberdade, sobre o tema proposto.

No encontro da anpocs deste ano, do qual acabo de retornar, tive uma incrível conversa de mesa enquanto almoçava na última quinta feira. Sem dúvida, se trata de uma grande vanguardista, de relevante importância para o pensamento sócio antropológico e político do Brasil que está por vir. Os verdadeiros usos, significados, objetivos e subjetividades da ciência estavam lá, naquela pessoa, que, sem se encabular, puxou uma cadeira e se sentou comigo.

Trata-se de Beatriz, que no auge dos seus quatro anos já sabe escrever as letras. Que gosta de sorvete de coco, sorvete de creme com leite condensado, sorvete de morango, sorvete de chocolate, sorvete de kiwi e até de orégano! Beatriz freqüenta a escola, tem um coleguinha chamado Gabriel, mas, obviamente, não sou eu, ele é que nem eu. Beatriz mora em uma cidade próxima, e se locomove por meio daquele negócio aonde vão muitas pessoas, tem muitos bancos, um moço vestido de preto (que não é o Zorro), mas que não é um ônibus, é outra coisa.

O ato de relativizar faz-se presente aqui, em Beatriz, assim como o neologismo, o fantasiar ao redor do mundo, por se estar no interior deste. Seu irmão não tem anos, tem seis meses, que não é ano ainda, faltam mais seis.

Beatriz: tanta gente divagando sobre o que foi e o que será, com tantos itálicos entre aspas em meio a notas de rodapé e pequenas ressalvas, quando, na verdade, o que foi e o que será, sintetizado está, em sua mão que indica os quatro anos de vida: o que foi? O que será?

Sem dúvida, a melhor conversa da anpocs não teve cerveja, bem como as piores e todas as outras, inclassificáveis, mas teve sim uma boca que se abria e lambia o sorvete da colher plástica translúcida até esta se tornar transparente e mostrar uma boca recheada de dentes de leite.

sábado, 23 de outubro de 2010

Corinta e Parmera.

Precisava sair cedo de casa, em pleno sábado. Acordei atrasado, comi rápido, me vesti e sai. Como de praxe no meu cotidiano, vesti uma camisa do corintia, modelo branco de 2002, e fui. Então três situações foram relevantes:

1)Entrei em uma daquelas grandes lojas de roupas que vendem de cuecas e calcinhas à sapatos, perpassando por roupas para o calor e o frio. Quando subia a escada rolante observei, ali embaixo, um rapaz com uma camisa do corintia de 95 e outro com um casaco desses comemorativos do centenário. Quando desci de volta ao térreo, o rapaz com a camisa de 95 me disse “é amanhã!”, respondi com um “tem que ser”.


2)Já estava voltando pra casa, mas ainda estava no centro, um homem carregando duas mochilas rasgadas e um cobertor, com a voz tonteante, me pediu uma ajuda para pegar um ônibus (não me importa se era realmente ônibus). Abri a parte da frente da mochila, aonde havia algumas moedas, e as dei para ele, que falou “irmão, você é coríntias. Eu também sou! A gente é do mesmo time!”, “só no vai corintias hein?”, “olha, amanhã, mesmo se perder, não me importa, eu sou corintias!”.


3)Já estava praticamente na rua de casa,caminhava por uma calçada, na outra um homem com um casco vazio de tubaína, ele então falou “amanhã tem corintias e palmeiras!”, “vamos comer porco?”, lhe perguntei, e respondeu sorrindo “é”. Julguei que o diálogo havia acabado, quando ele apontou o gargalo da garrafa a mim e disse “ao vivo!”, e eu repeti “ao vivo!”.


E tenho certeza, se eu andasse mais pela rua, outras manifestações com relação ao jogo de amanhã ocorreriam, fossem por identificação, como as que citei, fosse por parte daquela saudável provocação por parte dos adversários, que não ocorreram. Corintias e Parmera é outra coisa. Outra.


Agora é esperar, com o coração cada vez mais perto da boca, pra saber se amanhã por volta das 18:00 horas as manifestações de identificação serão por lamentação ou por felicidade pura e extremamente concentrada.


Vai Corintias!


Clássica imagem da final do paulistão de 1999: rivalidade à flor da pele nessa época, grandes vitórias e inesquecíveis derrotas

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ignácio de Loyola.

Encontramos com Ignácio no saguão do hotel, ele esfregava as mãos e tinha um óculos pendurado no pescoço, o qual, notei que em alguns momentos, sobretudo quando olhava fixamente para alguém que lhe falava, tinha a ponta de uma das hastes mordida por ele.

Durante o almoço foi nos adiantando um pouco do que falaria mais tarde naquele dia, realizou questionamentos conosco que, no correr do dia, seriam realizados a um público grande (matematicamente, média de 85 pessoas em cada período). Grande e composto não só por universitários da casa, mas também, em grande medida, por trabalhadores, gente da cidade que não costuma meter as caras na universidade (mas que tem muita gente lá dentro advogando em seu nome).

A fala de Loyola na tarde me criou alguns sorrisos, ora por parte de que o que ele contava e dizia realmente me soou como ironias da vida, e ora por parte de um reconhecimento. No final da tarde, em sua última frase, relato, narração ou seja lá o que for (Benjamim aos infernos!), deixei que algumas lágrimas internas se externalizassem.

Igualmente, à noite, os comentários acerca de sua obra, por ele mesmo, tocaram aquele meu lado artístico do peito, aquela minha sensibilidade desde tão cedo nutrida, e em muitos momentos recentes sentida por mim como sendo sufocada por esta ciência maligna a qual me entreguei. O embate entre ambos me derruba, e esta sensação fez-se presente na noite de 19 de outubro com Ignácio tanto quanto na noite de 7 de agosto com Gullar.

Ao pararmos o carro na frente do hotel para deixarmos Loyola, ele tardou em descer, pois acabava de contar mais um caso. Ao me despedir dele ainda agi como o meu eu mais estabanado, derrubando o envelope que ele carregava.

Demorei para conseguir dormir pensando nas sensações que o dia me causou, bem como, sentindo os pensamentos que este dia, próximo deste senhor de sensibilidade cotidiana aguçadíssima, me causaram.

A banalidade, a mediocridade e o clichê fazem parte da nossa vida”.



Pedro, Ignácio, Alex e eu, ao final da jornada.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

adjetivos.

Após um dia tão artístico, literário, me permito definir o sentimento em um adjetivo tão corrente nos tempos atuais:
foda.

domingo, 17 de outubro de 2010

Dona Maria.

O que escreverei abaixo articula com:

http://beusozinho.blogspot.com/2009/08/ta-doendo.html

Dona Maria foi viajar, no dia 13 de Dezembro de 2009 ela pegou um ônibus para São Paulo, aonde passou natal, ano novo e mais alguns meses; depois foi pra Bahia, aonde pasou alguns meses numa cidade e outros noutra, e voltou para a primeira cidade na Bahia. Retornou a São Paulo aonde ficou mais alguns meses e, finalmente, no dia 12 de Outubr ode 2010, retornou ao mesmo prédio em que faço residência.

Hoje ela convidou a mim e ao rapaz que mora no outro quarto para irmos em seu apartamento comer sua "pizza" (parece-se mais com uma torta, mas se ela diz que é pizza, quem somos nós, meros jovens [como ela nos chama] que, se somarmos nossas idades temos pouco mais da metade de toda a vida desta senhora?). À tarde não fui.

Quando cheguei da rua, por volta das 20:30, o interfone tocou, era Dona Maria perguntando se eu estava ocupado. Disse que não, e rapidamente desci em seu apartamento.

Ela me recepcionou perguntando se eu estava estudando e queria levar a pizza para casa, eu disse que não, e, no maior estilo pedro robertiano, já fui puxando uma cadeira e lhe perguntando sobre sua viagem. Dona Maria contou os detalhes de onde passou os últimos meses, de quais parentes visitou (muitos deles ilustrados pelas fotos em sua estante), os trajetos que realizou, me perguntou por que quando ela fala no celular ela ouve sua voz como se tivesse um eco etc.

Comentou, e neste aspecto concordei com ela, que o que está acontecendo com o Corintias é uma penitência:

-Tava tão bem, ganhando todos os jogos, de repente começa a perder.

-Mas a senhora acompanhou o corintias enquanto viajava?

-Claro, eu adoro ver futebol, mais ainda quando é o Corintias. E hoje eu fiquei tão triste que o Ronaldo fez dois gols e o juiz não deixou ser gol. Sabe, eu acho que o juiz era Guarani. O juiz e aquele outro com a bandeira.

-É Dona Maria...

-Mas e ai como ficou, o Corintias tá com 50 pontos, e os outros dois times?

(...)

Dona Maria é uma senhora simpática.

Lúcida e simpática.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Hoje.

Começou como mais um dia pesado e horripilante daqueles em que eu não conseguiria fazer nada senão brigar com os anjos, demônios, arcanjos, pombas giras, budas e divindades religiosas afins que pululam aos milhões em minha doentia cabeça.

13:30, vi uma mensagem no Twitter do Dance Of Days perguntando pelo Nenê. E então, numa tônica meio "harold crick e seu relógio", posso dizer que o Twitter me salvou de mim mesmo.

Sai de casa, e as 16:45 estava em um ônibus para Bauru, fui andando até o local do show [metade do trajeto, por irônia, com uma jovem que estava no ônibus e iria no show].

No pão de açúcar eu comprei um saco com três pacotes de maizena [pois o plano era passar a noite por lá, e este seria o suprimento], uma coca de 600 ml e um sanduíche. Fui pro lugar do show.

20:30 a banda chegou, 20:50 eu entrei na casa por intermédio de um deles. 22:00 começou o show, que foi acabar lá pelas 23:30, e nesta uma hora e meia eu experimentei de todos os sentimentos que vem se fundindo [e me fudendo] nos últimos anos; e, devo dizer, isso é realmente bom, é sagaz. Senti minha pele queimando; apenas parado, em pé, com os olhos fechados e cantando com força, pouco me importava que havia gente se esbarando com truculência em mim.
Sessão do descarrego mesclada com sessão de psicoterapia;

Sai de lá e peguei carona com a van de uma banda de Tupã; detalhe: o motorista havia perdido o óculos, eu o encontrei quebrado embaixo do meu banco.

Este é mais um relato emocionado, com ar de feliz e aliviado, e é isso, com exceção do feliz. Foi muito bom abaixar a cabeça ao chão e berrar, com toda a minha força, aqueles versos e refrões que dizem tanto sobre mim, e me acompanham nas mais duras crises nos últimos 6/7 anos.

E, sem vergonha, disse ao Nene no final do show, lá pelas últimas músicas: vocês são melhores que o meu anti-depressivo. Ele desfez o sorriso e apertou minha mão com força. É um cara consciente.

A conta do rolê:

20 paus o ônibus de ida;

7 paus no pão de açucar;

5 reais no cd novo do dance;

7 reais pra ajudar a gasolina dos cara de Tupã;
1,20 no suco de uva perto de casa.

Agora é dormir pra amanhã acordar pra um novo dia; será um dia diferente?

Devo dizer, da fase decadente de minha juventude, hoje será um dos dias mais gloriosos quando lembrado.
São poucos os que tem o privilégio de ter um registro fotográfico com a banda que mais perfeita e amplamente lhe toca o peito.
Valeu Dance!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

domingo, 10 de outubro de 2010

silêncio.

silêncio
.
.
.
.
[espera acabar]
.
.
silêncio
.
.
.
[pronto; bosta]
a inacreditável inversão, de dor em sofrimento, é o que permite os pontos corridos.
e é o que eu venho sentindo desde quarta feira.
e é o que temo até quando durará.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

3 Toques.

Caros amigos que me seguem neste blog, a partir de agora estarei escrevendo também em outro espaço, em um dos blogs do "3 Toques", o "Templo da Bola". Escreverei semanalmente às sextas feiras.
Hoje saiu a minha primeira coluna "O momento do Gol".
http://3toques.com.br/blogs/templodabola

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ônibus?


Como

Seis

Horas

Dentro

De

Um

Ônibus

Podem

Fazer

Tão

Mal

Meu

Bem

?
?
?
?
?

sábado, 2 de outubro de 2010

Dinosaur II.

Então chegou o dia. Vim do interior pra cá na terça, e na quarta o dia era para isso [antes disso, acabar alguns afazeres, claro]. E então a minha existência passou a estar, lá pelas 5 da tarde, compenetrada neste grande evento: o show do Dinossauro Junior.
Devo dizer, de início, que algo me fez não estar íntegro no show, ainda averiguo exatamente qual foi este fator.
Voltemos ao espetáculo.
Puxa vida, que show. Não sei ao certo como comentar, de modo que, prefiro não fazê-lo.
Apenas gostaria de colocar como me senti bem em fechar os olhos e viajar como viajo na sala de casa, mas ao abri-los, ver o Mascis ali na frente, com seu cabelão branco tocando aqueles solos.
A grande parte do show em que estive íntegro, realmente, me fez toda a diferença nesta vida
Aliás, isso sim devo dizer, meus ouvidos ainda apitam, passei a quinta feira surdo e a sexta com um ronco na cabeça, hoje os ouvidos começaram a apitar. Vide a foto da parede de amplificadores, da qual me mantive próximo durante todo o show; vide o video.
***
Confesso que os últimos tempos, se tem tido uma porrada de coisas ruins, tem tido algumas boas que tem um brilho e um peso incríveis.
2010 já está marcado pra mim como o ano que vi duas grandes bandas, importantes pra mim; 2 das 3 bandas que mais ouço desde que entrei na faculdade: Yann Tiersen e Dinosaur Jr. Falta-me agora um show do Bill Callahan.
Ai sim, estarei "formado".



Pedal de efeitos, modesto, do Mascis.



Modesta meia dúzia de amplificadores.


Aqui em cima, o J. Mascis.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Anedota II.

Apesar da ligação do Senhor José Serra ao ministro Gilmar Mendes, tentando evitar a votação da propostas, não será necessária a apresentação obrigatória do título de eleitor para votar.
Logo, gastei 14 paus em sedex à toa!
É como diz aquela canção do cazuza: burocracia, eu quero uma pra viver.
Ps: em breve meus comentários acerca do show do dinossauro junior.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Anedota.

Estava assistindo o debate entre os candidatos ao governo do estado de São Paulo com meu pai, cheguei há poucas horas em São Paulo. Ficamos aqui comentando questões políticas e bobeiras desse gênero; lhe mostrei algumas fotos de coisas que rolam pela faculdade, como túmulos e girafas, e em certo momento, nem sei o que diziamos, gelei no sofá:
-Oh gordo - lhe falei me levantando - esse telefone aqui faz interurbano né?
-Faz... - cara de dúvida.
-Pô, preciso ligar pro Pedro - e já peguei o telefone.
-Agora? - semblante de desconfiança!
-É, esqueci meu título de eleitor.
Levando em conta que na minha cabeça vim até São Paulo para:
1)show do dinossauro junior.
2)consulta médica.
3)jogo do corintia.
4)eleição.
Tenho certeza de que eu só me lembraria da ausência do documento entre o item 3 e o 4, o que ocorreria na manhã de domingo, mais precisamente ao meio dia.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

27.09/15:45.

Encostei a bicicleta na frente do Pão de Açúcar e entrei para comprar uma coca cola de um litro, para tomar no final de tarde e noite que já se anunciam como longos para hoje. Raivoso, tentei imaginar algo em que pudesse descontar a minha ira, e então lembrei do torrone: doce, levemente duro, que dói a mandíbula de tanto mastigar: desconto físico de raivinha metafísica; bosta.

Entrei sem tirar os fones de ouvido, estava ouvindo o On Tour de 2006, do Yann Tiersen. Andei pra lá e pra cá e não achei o raio do torrone. Decidi tirar os fones dos ouvidos para procurar um funcionário da loja, encontrá-lo e ter a resposta de onde eles escondem o torrone lá.

Peguei a maldita composição branca com amendoim e sai em busca da coca cola, foi então que, paralelo às margarinas, manteigas e requeijões resolvi voltar os fones aos ouvidos, e o que se tocava neles eram os últimos versos de Mary.

Tal qual Amelié, no momento em que Nino sai do café pela primeira vez, desabei; desagüei.

Peguei a coca cola morna na geladeira quente, e, na fila do caixa, ainda desabado, cheguei à seguinte afirmativa:

Porra, de que adianta pegar uma pá de coisas para fazer, para encher a cabeça e me esquecer das caixotagens, se deixo de fazê-las em nome dos desconfortos/desesperos das caixotagens? Larga mão de ser burro Gabriel! Parece que você só sabe mandar, com coerência, caixa eletrônico tomar no cu.

Sai do mercado e, na frente dele, ao lado da bicicleta, agora ouvindo Mary integralmente, tanto ela com ela, quanto eu com ela, escrevi estas ácidas linhas, com a tampa da caneta na boca.

Comigo mesmo, brindei o momento de conclusividade individual com um solitário gole de coca cola.

Mary-Yann Tiersen

http://www.youtube.com/watch?v=tRq7FxiSmxY

sábado, 25 de setembro de 2010

Tanta Gente.

Tem gente que me faz bem,
Tem gente que me faz mal.
Tem gente que já me fez bem,
Tem gente que já me fez mal.
Tem gente que hoje faz bem,
Tem gente que hoje faz mal.
Tem gente que ontem fez bem,
Tem gente que hoje faz mal.
Tem gente que ontem fez mal,
Tem gente que hoje faz bem.
Tem gente que hoje faz bem,
Tem gente que amanhã fará mal.
Tem gente que hoje faz mal,
Tem gente que amanhã fará bem.
Tem gente que quero em vivacidade,
Tem gente que quero em mortadela.
Tem gente que não cheira,
Tem gente que não fede.
Tem gente que eu queria que voltasse,
Tem gente que eu queria que fosse.
Em suma,
Isto é,
Em português claro,
Foda-se,
Tanta gente.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ausência/Presença.

Em 2002, lá por meados de Novembro, eu cursava, com dolorosas dores, a sétima série do ensino fundamental (ginásio). E em um sábado em especial o professor Chico, me deu aula de história, é sociólogo, diria que foi uma grande influência na vida, estava lançando seu livro sobre Adoniran Barbosa. O lançamento foi em um bar muito simpático na Vila Madalena.
Fomos eu, minha mãe e meu pai; lá estavam outros professores do colégio, me lembro da querídissima Elis de matemática sentada à mesa conosco (nos contando suas aventuras para ver jogos do São Paulo), lembro-me da coordenadora do meu ano e mais alguns professores do ensino médio que, em pouco tempo, se tornariam pessoas tão importante para este projeto infinito.
No dia seguinte a este sábado, ou seja, pela lógica romana, um domingo, haveria uma daquelas feiras que as escolas particulares organizam para mostrar os "trabalhos" desenvolvidos pelos alunos aos pais, para lhes dizer, "seu filho tem futuro" ou "veja, ele não entende direito...".
Lá pelas tantas, certamente quando nos despediamos, a memória não me permite a recordação exata, a coordenadora disse um "até amanhã" para mim, isto é, com a plena e convicta certeza de que me veria no colégio no dia seguinte. Minha resposta, a mais sincera possível, foi "ah, mas eu não vou". Uma expressão de espanto tomou a face dela, e perguntou, levemente chateada "mas por que não vai?".
"Amanhã tem oitavas de final, atlético mineiro e corintias, e a feira é a tarde".
Enfim, minha mãe, que não via problema na minha ausência naquele evento, quando já estávamos no carro, me repreendeu por ter dito à coordenadora que eu não iria.
No dia seguinte fomos até a escola, eu, minha mãe e meu pai, ela ficou por lá até o final da feira, lá pro final da tarde, eu e o gordo ficamos mais ou menos meia hora por lá, voltamos de ônibus pra casa, para assistir àquele lendário Atlético 2 Corintias 6, em pleno mineirão (jogo que tenho os melhores momentos em fita, mas não encontrei no youtube).
Moral da história: não é de hoje, e até que se faça possível, será como diz aquela canção entoada nos jogos do corintia: "pelo corintias, com muito amor, até o fim".

Má tá pescando, tá pescando pescoooooou!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Dica de Prazer.


Dica de prazer do Coiso:
1)em meio a uma crise, de qualquer origem/natureza, ou mesmo em momento de não crise, mas um pouco apático, passe um dia sem tomar banho (dois ou três, varia de acordo com a sua disposição e obrigações não fétidas);
2)evite pensar em banho ou em sujeira no correr destas 48 horas (ou 72 ou 96);
3)quando já tiver passado este tempo sem banho, tome um, reparando nos detalhes: no esfregar do xampú em sua cabeça, no passar do sabonete em cada canto da pele e, sobretudo, na água caindo sobre o corpo e levando, ralo abaixo, a água, a espuma e a água com a espuma com toda a sua sujeira acumulada nas últimas horas.
4)agora, uma super dica: evite realizar este procedimento em períodos quentes e úmidos, dê prefrência a dias frios e secos, para poder amplificar o prazer, tomando o seu banho com aquela água morna/quente.

Uma super dica de prazer, do Coiso, pra você!


sábado, 18 de setembro de 2010

Suco de Barata.

Não me cutuca não,
Que eu apelo pro Vai Corintia.
Não me fere com ferro,
Por que ele tem duas pontas,

Não me zoa,
Não me tira,
Não me debocha,
Não me humilha,
Não me estrupa,
Não me irrita,
Não me anula.

E peço perdão,
Aos inocentes,
Mas implodir,
Em meu peito,
É explodir;
Perdão,
Pela fagulhas.

Mas às vezes,
Simplesmente,
Não dá:
Eu não tenho,
Nem sou,
Nem tomo,
Nem aceito,
(Ser),
Suco de Barata;
Sobretudo,
Nas veias.

domingo, 12 de setembro de 2010

Sobre frustração e desespero.

Desde o princípio da juventude, lá pelos onze/doze anos eu tive posturas muito claras com relação a muitas coisas que eu já percebia como sendo “da vida”. Tinha minhas escolhas e preferências muito bem marcadas; muitas vezes tropecei em momentos de escolhas e decisões, é verdade, mas muito em parte pois tinha que ponderar as minhas “idéias” e "certezas" com o tudo/todo/todos ao meu redor.
(...)

E ai eu paro e me vejo com 21 anos, muita barba na cara, muitas fotos de diversas fases da vida; não digo mais “quando eu fui cabeludo”, digo “quando fui cabeludo pela primeira vez” ou pela segunda, ou pela terceira, e me encaminhando para a quarta agora.

Paro e me vejo com 21 anos tendo alcançado coisas que desejei por tanto tempo desde o princípio da juventude (e, claro, com tanto pra alcançar; meio 'ouro de tolo'), e que me tomaram grandes momentos de reflexão, que foram importantes passos no caminho e tudo o mais que possa ser compreendido nesta linha demarcada nos termos individuais desta última década.

Vejo que construi, que alcancei; sinto-me coerente com aquele garoto sem barba e vestindo camiseta com o rosto do Renato Russo.

E sinto-me frustrado e em desespero comigo mesmo, com ou sem barba (ponto)

(escrito na segunda-feira, dia 30/08, no auge da crise).

De forma audaciosa, faço um paralelo com o cd "Sobre determinação e desespero" do Colligere, invertendo a coisa, sintetizando estas linhas acima (e grande parte dos sentimentos aqui de dentro) na frase "Sobre frustração e desespero". Ácida e infelizmente é assim que venho me sentindo nos últimos anos, e consegui sintetizar neste 30/08.

Este cd começa com um trecho de Guy Debord (autor que não conheço): "O segredo domina este mundo, antes de tudo, como o segredo da dominação. O espetáculo organiza a ignorância do que acontece e o esquecimento do que, apesar de tudo, conseguiu ser conhecido. Quem está sempre assistindo, esperando o que vem depois, nunca age, assim deve ser o bom espectador. A consciência do desejo, e o desejo da consciência, são o mesmo projeto que, sob a forma negativa, quer a abolição das classes. Que as pessoas tenham a posse direta de todos os momentos de sua atividade".

Negritei a última frase pois, em 2005, quando já era grandiosamente desgostoso com relação às coisas da vida (que cito no começo desta postagem), a escrevi em uma camiseta.

E do dia 30/08 pra cá (hoje é dia 12?), realmente, não só o "Sobre determinação e desespero" tem-me feito muito sentido, como também o "Incerto", segundo cd do Colligere.

Como sei que a maioria do pessoal que frequenta aqui não tem ouvidos pro Hard Core, deixo o link pras letras da banda no Vagalume.

http://www.vagalume.com.br/colligere

Indico: "quando o espírito está morto" e "travessia".

Como dizem os jovens: tenso.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Mars.

Vocês conhecem a música "life on mars", do David Bowie?
Assim como aquela que me foge o nome, a do Major Tom. "Space Odity".
Em algum momento da vida essas músicas já me fizeram chorar; mas falo agora de "life on mars".
E ai semana passada achei os links para alguns cds do Yann Tiersen (que também já me fez chorar) que eu ainda não tinha, e em um deles, uma versão de "life on mars".
Me arrepiou. Muito.
David Bowie:

http://www.youtube.com/watch?v=n2kJ0T2mbp0&feature=related

Yann Tiersen:

http://www.youtube.com/watch?v=pdTSGjEFob8

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Amigos.

Saio do interior e venho para São Paulo, acho que dá pra fazer uma média de uma vez por mês. Fico aqui três ou quatro dias. As últimas férias duraram 14 dias, e a outra vez que eu havia vindo durou 12 dias (some 4 dias passando por campinas, santa bárbara e piracicaba, com direito a Yann Tiersen).
Sempre procuro encontrar um ou outro amigo de antes dessa grande bobeira chamada faculdade começar, acho que pra ver como está a ligação entre o passado e o presente, e se há consonância com o futuro que parece estar por vir/sendo planejado.
Às vezes é chato, dolorido, deprimente; em suma, xumbrega.
Às vezes é legal, gostoso, saboroso; em suma, toca o coração.
Às vezes faz todo o sentido, e a ligação soa saborosa/menos dolorosa.
Às vezes não faz sentido, coço a nuca e sumo por um tempo.
Às vezes penso que queria morar mais perto deles.
Às vezes penso que queria que as nossas conversas durassem mais uma tarde.
Enfim,
Quase sempre eu queria carregá-los para além de dentro do meu coração.

sábado, 4 de setembro de 2010

Primeiro.

Primeiro dia realmente bom do centenário:
pela manhã fiz a primeira leva de camisetas da Vanderlei; sai de lá e fui, gloriosamente, buscar o meu ingresso pro show do Dinossauro Junior.
Em casa um delicioso almoço, a base de frango xadrez feito pela gorda.
E no final da tarde fomos ao primeiro jogo do centenário, conferi de perto a primeira goleada do centenário e me certifiquei: o time tá voando.
Agora, seguindo a tônica equilibrada da última postagem, houve momentos dificeis durante o jogo: por vezes tirei a atenção do que ocorria nos gramados para (d)escrever algo que ocorrerá na silenciosa arquibancada e chamara por demais a minha atenção.
É complicado separar as coisas.
Mas que foi o primeiro dia bom do centenário, não há duvidas, e aqui deixo registrado.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Centenário.

Em meu computador, sentado na cadeira do quarto, cutucando os dedos do pé, acompanhei a "festa da virada" que ocorreu no Anhangabaú, em São Paulo. Puxa vida, que vontade de estar lá, não por causa do centenário (isto é tática de marketing, eu sei bem) mas sim por conta da festa, do reconhecimento, da identidade e da identificação com aquela coisa que não sei bem o que é, mas que me fez chorar, tanto na posição citada durante a madrugada, quanto ontem com a homenagem do Globo Esporte.

Mas o centenário, o dia do centenário, teve um gosto todo especial para mim, e pra quem está de saco cheio das minhas corintianices, a coisa fica interessante a partir daqui.

Estudo seres humanos, logo, em razão da escolha minha de como trabalhar com isso, eu pesquisarei gente, em seus espaços, em seus coletivos e etc; e ai resta escolher e encontrar quais gentes, quais espaços, quais coletivos e etc, novamente.

Faz um tempo que venho querendo estudar as organizações em pról de um time, sejam de torcedores propriamente organizados, ou de torcedores "comuns" (termo tosco, que espero encontrar outro melhor para substituie), em suma: venho querendo encontrar gentes que frequentem determinados espaços, sendo um coletivo visando representar um time.

A priori tive medo de estudar algo relacionado ao Coringão, mas então, parei e pensei: homossexuais desenvolvem pesquisas entre grupos homoafetivos, frequentadores/adeptos do candomblé que estão nesta área maldita que eu estou estudam suas práticas religiosas, porrra, será que seria tão absurdo assim eu pesquisar coisas próximas e relativas ao Corintia?

E eis que ontem, ao final do dia do Centenário percebi: é, não tem problema. Encontrei minhas gentes, tenho breve noção de seu espaço e agora é me aproximar do coletivo.

Vai Corintias.

sábado, 28 de agosto de 2010

Gullar.

Minhas anotações da mesa de Ferreira Gullar na FLIP 2010, dia 7 de agosto.

-“Fazer uma poesia em que a linguagem nasça com o poema”.

-“E ai nasceu a poesia concreta, deveria chamar-se abstrata, mas é concreta”.

-“A poesia nasce do espanto”.

-“A vanguarda tem a ver com política (...) os artistas começaram a lançar manifestos, e como os políticos começaram a prometer coisas que não seriam cumpridas”.

-“Eu como poeta sei que não se sabe o que será feito”.

-“Não to querendo fazer graça, mas enfim, a vida é engraçada”.

-“A vanguarda é igual o terrorismo, ninguém pode botar o galho dentro”.

-“Se você não é de vanguarda, você é de retaguarda”.

-“Eu não me dou muito bem com partidos, tenho mania de pensar pela minha cabeça”.

-“Passamos de pessoas que estavam pensando a mobilização à perseguidos”.

-“Se é para não mudar nada, pelo menos façamos boa poesia”.

-Sobre “poema sujo”: “escrever o que me restava dizer”; “eu escrevi aquilo para sobreviver”.

-“É bom fazer o poema, ninguém te obriga a fazer”.

-“O poema traz coisas doídas (...) quando você escreve é para transformar dor em alegria”.

-“O poema é a alquimia que transforma a sua dor em alegria e beleza estética (...) e ai está superado o sofrimento (...) a arte está ai para isso”.

-“O passado, que está vivo, é presente, e o poema é isso”.

-“Ou há o espanto e eu escrevo, ou não há o espanto e eu não escrevo”.

-“O homem existe entre o mundo, deus e o acaso, se há deus não há acaso, pois deus tem todo plano; o acaso é a bala perdida, e quem não acredita em deus está jogado ao acaso”.

-“Se dependesse dos poetas não teria sido inventada nem a soda; a ciência não conta conosco”; “a poesia dá algo que a ciência não dá”.

-“O silêncio eternos destes espaços infinitos me aterroriza”.

-Sobre o Big Bang: “Nada não explode”.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Possibilidades.

"De duas, uma:
1)ou não tenho mais tido tempo para ficar na janela, o que tem ocupado meu tempo e cabeça, e, enfim, o que importa é isso: "talvez eu não tenha mais gastado tanto tempo na janela";
2)ou quando eu olho tenho uma visão distinta do chão, uma compreensão outra daquele espaço, distante de mim 4 andares."
carta de dessuicídio às 3 e pouco da manhã.

domingo, 22 de agosto de 2010

Dias.

Há dias e dias, exponho isto com facilidade; recentemente no sarau da UNE expus o verso "há dias em que a fuga em si exige fuga para si". Sincero da minha parte colocar isto para fora, pois é assim que me sinto na maioria das vezes.
Agora, e ai começa-se mais uma repetitividade constante deste blog, eu levanto mais feliz, com maior pique, maior disposição para a vida e mais disposto 'pro que der e vier', nos dias em que o Corintias joga.
Vai Corintias.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Dinosaur.

Isto merece uma postagem minha, muitos tuites e mensagem pessoal no emi eci eni:





http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/08/dinosaur-jr-se-apresenta-no-brasil-em-setembro.html





E merece também uma foto do patche em minha jaqueta:


E merece também um video do youtube pra quem não conhece a banda:

http://www.youtube.com/watch?v=TgTJtdn6VjM&feature=related

Resposta.

Recebi a resposta do emeiou que enviei ao professor.
Logo na segunda linha ele escreveu "tudo vale a pena se a alma não é pequena".
Pensei, "hum, vai ver é por isso que as coisas não tem me soado como valendo tanto a pena assim".

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Cansaço.

O cansaço que eu procuro, acho que é esse.
De ir, voltar, ficar um tempo, cansar por aqui, descansar de ambos, ir para outro lado, voltar de novo, já ter que cansar mais, e não ver no horizonte dos dias o momento exato do descanso, por ter algo a fazer.
Vai corintias.

domingo, 15 de agosto de 2010

Aquilo.

Levantei, andei pra lá e pra cá como é de rotina, e pensei "puxa vida, preciso pôr aquilo na mala para viajar".
Fui preparar o pão, dar uma arrumada final na pia, tomar um café, pensando em escrever sobre o fato tão explosivo de pensar em levar aquilo para viajar, bem como complementar a escrita falando sobre as coisas que lembramos sorrateiramente.
Com a caneca fumegante na mão, parei na porta do quarto, olhando-o em toda sua completude, e ainda pensando em escrever (liguei o computador, inclusive). Olhei para a cama, para as roupas sujas, para a mala semi pronta, para a arara de roupas, e não me recordei o que seria aquilo que eu precisava tanto para viajar.
Após um tempo em esforço, a caneca secara-se, para me lembrar o que era aquilo, sentei-me em frente ao computador para escrever sobre lembranças sorrateiras, pensamento explosivo e esquecimento volumoso.
Enquanto escrevia, me lembrei: aquilo é um cachecol; segunda etapa de levá-lo para viajar: materializá-lo encontrando-o em meio a esta zona.

Uma curtinha da FLIP que achei anotada ontem:
No primeiro dia do evento, eu caminhava pela cidade histórica, passando por um jovem que apresentava o seu "circo de pulgas". Como parte do 'espetáculo', um isqueiro não acendia, e o rapaz disse: "calma que nóis dá um jeito". Um sujeito posicionado ao meu lado, vestindo um casaco bege aparentemente de couro, por cima de sua camisa pólo creme e calça dins muito bem alisada, falou: "eu como apreciador da norma culta não gostei, por que 'nóis' não faz nada".

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Felicidade Recorrente.

Após uma frustrada e estúpida trilha, no dia seguinte pegamos uma van para Trindade, praia de fácil acesso e, segundo disseram, bem bonita. Realmente, é bonita, mas não faz o meu tipo não.
O mar estava bravo por causa das chuvas do dias anteriores, e a água batia com violência nas pedras, provocando um efeito águas de artifício.
Isso não importante para a construção de alguns instantes de extrema, plena e recorrente felicidade.
Entramos na praia pelos fundos de uma das barracas, perguntei a um rapaz se eu poderia usar o banheiro para tirar minhas roupas de gringo e colocar uma bermuda (sim, estava de all star e calça dins).
Indo para o banheiro me deparei com um jovem de bombeta preta e uma regata da Gaviões, original, bordadinha, daquelas que apenas os sócios podem comprar. O saldei "e ae corintia!", ele retribuiu "e ai corintia!".
Fiquei feliz de em uma prainha pequena, num canto/vila de Paraty trombar um corintiano efusivo. E isto é uma felicidade recorrente em minha vida.
Vai Corintias!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Falando bobeira.

Capacitado em falar bobeira eu sou, cresci e me conheço assim. Às vezes para tirar um sarro, às vezes para ser sarcástico, irônico e até sádico.
Porém, algumas vezes sou agraciado com o ato de falar bobeira em situações indevidas, mal vindas e esdruxulas (a situação e a bobeira).
Exatamente como fiz agora.
Nós, que viajamos para a FLIP, combinamos com uma professora de fazermos a prova dela hoje, pois não estariamos aqui na semana passada, como não estávamos. Fiz a prova, um pouco no estilo das telhas históricas de Paraty, e, ao entregá-la, gostaria de agraecer a professora por vir aqui um dia a mais aplicar a prova e etc.
Foi então que soltei a bobeira:
-"Obrigado professora, por vir aqui, nos encontrar mais uma vez".
Ela riu, segurando a minha prova, olhou para mim, para a prova e disse:
-"É, isso mesmo".
Enfim.

domingo, 8 de agosto de 2010

Mais um retorno.

Mais uma vez cheguei em casa, trazendo, além das mochilas, uma cabeça mais pesada do que a chuva que molhou nossa barraca, mais barulhenta do que as ondas quebrando bem pertinho de nós a madrugada toda, mais desastrosa do que a lama da trilha errada, mais complicada do que as pedras que formam a rua, mais enxuta do que a marmita de todo dia.
Enfim, cheguei em casa mais uma vez, feliz por ter saído, feliz por ter vivido dias bons, mesmo nos momentos da mais aguda e extrema raiva (as coisas se tornarão grandes piadas, é sempre assim não é?). Volto pensante, mais do que fui, e cito o Gular, que pouco antes de nos emocionar, passou andando por mim em um ritmo que esconde qualquer 79 anos de idade.

"O poema é a alquimia que transfigura a sua dor em alegria e beleza estética (...) e ai, esta superado o sofrimento. A arte está ai para isso".

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

10; 3; ?.

Comemoro ausências crescentes.
Celebro presenças que prometem.

Qualquer canção trará dúvidas.











Tudo bem, eu tenho religião.