sábado, 28 de novembro de 2009

Considerações.

Considerações antes de dormir:
1)Quando, apoiado na janela do quarto,percebo muitas salasao meu redor piscando na mesma frequencia, percebo a dimensão do poder que eles exercem e detém.
2)Espero uma noite de sono old school: trouxe o rádio para o quarto, coloquei o frogstomp, deitei na cama, fechei os olhos e disse em vol cerebral alta: "eu tenho quatorze anos", repetidas vezes, mas eu não tenho.
3)fodam-se-me.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Destino.

Daqui há alguns dias, precisos 14, fará um ano que meu vó deu o último suspiro e deixou deser um ser vivo respirando.
sempre tivemos muitas e longas conversas, não sei se já comentei aqui, mas se as férias começavam numa sexta, e terminavam num domingo, eu ia pra casa dele e da minha vó na sexta e só saía de lá no domingo véspera de volta às aulas.
Nas épocas em que minha vó ia corrigir provas de vestibular e enem, eu e meu vô ficavamos muito tempo sozinhos em casa, vendo qualquer bobeira na tv e conversando, depois íamos almoçar ou jantar e ficavamos na mesa mais um longo tempo conversando. Na hora do almoço ele dizia "vou pegar mais uma cerveja", na hora da janta era "vou tomar mais um copo de vinho", e o nosso papo seguia, seguia, até ele dizer "vou tirar um sono, até rapaz".
Em uma sexta feira específica, em maio de 2005, eu com meus 16 anos, ia passar a noite lá e no dia seguinte ia fazer um rolê logo cedo. Comiamos pizza de mussarela do Tourinho (restaurante ali perto, sempre íamos) em casa, eu e ele, não lembro aondeminha vó estava. Não conversavamos sobre nada, apenas comiamos. Eu virei para ele e, inocentemente, lhe perguntei: "vô, to pensando em seguir uma carreira na área de artes, que que você acha?".
E a conversa foi.
Uma das coisas que ele me falou e que eu mais guardei, talvez por que discordei dele, e este foi o centro da discussão, foi que todos temos um destino, ele já está escrito, resta-nos aceitá-lo e fazer as coisas dentro daquilo que achamos certo e elas nos serão voltadas de acordo com o destino e de forma boa. Falou embaraçado assim, já tinham ido uns três copos de vinho.
Falei tudo isso pela simples razão de que queria resmungar-me pelo fato de que não gosto do jeito como muitas coisas tem acontecido na minha vida. Sejam as boas ou as ruins. Muitas, quase todas, tem me incomodado.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Serviço de desova.

Recolhe os livros do balcão e leva pra dentro.
Sobe pela escada e os desova em um carrinho.
Leva o carrinho vazio de volta pro balcão.
Leva o carrinho cheio para o fundo.
E desova os livros nas prateleiras temporárias.
Os coloca na ordem aos poucos em um carrinho.
Anda-se pelos corredores.
E os desova em seus respectivos setores.
Por área, complemento, tombo, sobrenome do autor e registro.
Uma biblioteca inteira pronta pra redesovada.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Não pude dormir.

Um cara que se veste mal (tênis naique, bermuda florida, camisa polo listrada e chapéu xadrez) e fala bobeira seriamente;
Um papo delicioso, nostálgico, salvador, tipicamente isildo;
Itaipava a cinco conto;
Programa norte americano centrado em fazer piadas com o resto do mundo;
Determinismos de quem jamais esperei;
Esteriótipos bem demarcados pelas calçadas;
O susto espantoso por estar vivo;
Mas, por incrível que pareça, apesar de tudo, o que me marcou no final da noite, jogado no sofá da sala, com sono, mas sem forças para subir e dormir, foram os versos:
"Que você me adora,
E me acha foda".
Que merda é essa?
Que merda!

sábado, 14 de novembro de 2009

O empadinha.

Ai entrei no ônibus para São Paulo, fui direto para o lugar de sempre, quando me aproximava vi aquele corpo musculoso, marombado, que sobressaia do espaço do banco como empadinha da forma. Pensei "é, viajarei encolhido ao lado deste empadinha". Pedi licença, coloquei amochila no chão e, como de ritual, coloquei os fones de ouvido e o negócio que tampa a claridade nos olhos. Nem bem o ônibus saiu da rodoviária o desgraçado (e usarei termos pesados e desrespeitosos com ele) começou a roncar. Um ronco pesado e grave, alto, sobretudo alto.
Resultado, não dormi, tive de aguentar meu braço esquerdo pressionado por um monte de massa excessivamente trabalhada em academia, parecendo massa de pão que se esqueceu fermentando e cresceu muito mais do que o necessário.
O ônibus parou, posto de serviços. Desci para comprar o iogurte que sempre compro, o empadinha voltou com um saco e me disse: "e ai cara, quer fruta?", em um saco, umas três maças, três bananas e uma caixinha de morangos. Minha vontade era dizer "não, valeu, não sou saúde não. Tem alcatrão? Pra mastigar". Mas apenas disse 'não, obrigado', e voltei a tentar dormir.
Acordei, desta vez, não com o barulho do ronco daquele corpo que mais parecia um x tudo, mas sim com a boca daquele pedaço de carne sovado destroçando, chupando e descaroçando (tudo isso com violência) os morangos da caixinha. Me virei, e desta vez consegui dormir. Acordei com a claridade em Osasco.
Ai pensei, durante esta conturbada viagem, que, nazistamente, poderia existir no ônibus algo como duas seções: uma para "roncantes" e outra para "não roncantes", como havia para fumantes e não fumantes.
Indo mais além ainda, pensei em sugerir ao governo do estado que, também nazistamente (como lhe é de gosto) que proibisse o ronco em ônibus, aviões e espaços públicos em geral. Justo?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Declaração.

Pequena declaração de um ex-jogador de dominó com relação à sua conduta e condição recente:
"Bem, espero ter contribuído para o dano neurológico futuro após estes dias tornados breves, espero, também, ter conseguido atrair para mim algo em torno de três a cinco doenças, inclusive duas venéreas; e gostaria de aproveitar a situação para comentar a falta de assistência e investimento público na nossa categoria profissional"(...).

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Eu sou o caminho: da mentira e do fim.

No começo de um dia,
Que por si só,
Já começou entardecido,
Sentei-me,
Para alimentar novos vícios,
(E espelha-los em,
Alguns mais conhecidos).

Frente a frente,
Os apelidei inimigos,
Outro copo trincou,
E fim de piada.

"É egoísmo",
Disse um (dos vícios),
"É bobeira",
Disse outro (viciado),
"Não importa",
(recuei),
E fim de piada.

(Aliás,
Preciso entender enfim,
Que sim,
Importa).

Foi então que um 'vicinho',
(Um pouco sangrento),
Alertou-me para algo,
Que de tão antigo,
Classifiquei como a base,
(De meus vícios contemporâneos).

"Talvez seja isso",
Disse ele (em casa de recuperação),
E concluiu,
"Talvez tenha você,
Respirado aquele perfume,
Das 'Flores do Mal'".

"E agora amargue,
Entre estes teus soros,
Pois,
'É só o inferno,
E mais nada'".

Para não atrasar,
Mais ainda o dia,
Decretei fim.

"Pelo menos tenho eu,
Boas influências,
E posso seguir,
Cavando este meu poço".

Eu sou o caminho,
Da mentira,
E do fim.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

sonhos retilíneos.

Deitei para dormir, passava das três, ouvia aquele cd entitulado "quando estar vivo não basta" (a trilha sonora mais digna para o momento).
Acordei suado, asustado, com uma imagem na cabeça (e nada mais justo para o momento).
A história do inconsciente, esta noite, começou com uma visita da família a alguém que se parecia comigo, eu fugia, para não sei aonde, que havia três carecas (no sentido neonazista da palavra) e ficavam, com pequenas sacanagens, tentando me pegar. Cheguei em alguma rodoviaria e tentava encontrar o caminho para casa, chovia muito, e tudo estava tão escuro; um dos carecas usava uma gravata vermelha. Quando sai da rodoviaria, me encontrei com eles na avenida, e tentei dar-lhes dribles. Um homem, 'segurança', me indicou aonde ir para chegar aonde queria, ou devia; sem saber aonde estava.
Molhei os pés, passei ao lado de um ginásio, chovia muito, vi dois rapazes tirando fotos, parei em uma esquina, cansado de tanto caminhar levando o estranho peso que levava nas costas. Parei na esquina.
Um carro com os carecas parou, me ofereceram uma carona, eu disse que não. Lembro da gravata vermelha vindo naminha direção.
E como sempre, acordei antes de morrer (o que não foi nada justo com o momento).

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

...

às vezes dá uma vontade deturpante de sair por ai destroçando tudo o que se entende por qualquer coisa, que seja, não importa mesmo. é só mais uma lamentação desocupadamente burguesa.
pelo menos hoje a prateleira (e só a prateleira) não caiu sobre mim.
é repetição.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A Vaca.

(Esta postagem é dedicada a todas as vacarias e vaquismos [em geral] que já fiz nesta vida)
Não sei se já comentei (ou se sabem e etc) mas moro no último andar de um prédio que fica entre a pista (rodovia) e o pasto. Diriam os (s)ociólogos, entre o arcaico e o moderno. Não sei. Não importa.
O pasto é frequentado, diariamente, pelas mesmas vacas, as reconheço pela cor e tudo; algumas já notei e apreendi alguns hábitos. E quando ocorre alguma mudança na cotidianeidade delas também reparo.
Por exemplo, há uma vaca meio branca, meio amarela, meio cinza e um pouco alaranjada (talvez seja isto a cor de burro quando foge), uns tempos atrás ela passava mais tempo do que as outras pastando, comia pra burro. Ela foi engordando. Sumiu por alguns dias, e depois de semanas aparecia, sempre ao lado dela, um pequeno bezerro, com a mesma tonalidade de pelo (ou falta desta) que a vaca em questão. Sempre que possível ele corria na direção das tetas dela e passava longos minutos mamando. Algo bonito de se ver, devo dizer.
Pois bem, sábado, quando voltei a ficar em casa, após uma breve viagem à Minas Gerais, notei a ausência do bezerro, e a vaca pra lá e pra cá, em leve desespero, mugindo, urrando, gritando, clamando e etc.
Ela passou a noite deste domingo repetindo os mesmos atos de desespero. Um grito seco, que doeu e dificultou o meu ato de dormir.
Isso me entristeceu mais.
E me deu vontade de mugir igualmente seco.