quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Chá.

Abri a geladeira procurando por um dos muitos pés de alface que comprei, há alguns dias, por R$1,48. Havia sobrado apenas um. Não era o pé de alface mais bonito que eu já vi, não que eu tenha visto muitos. Mas enfim, salvei as poucas folhas e, galateando-as como princesas, as temperei com vinagre e sal, e me sentei para saborea-las na frente de uma caixa de chá matte.
Na lateral desta, uma descrição do que é o "Matte". Dentre outras características, dizia-se que "vive na cidade, mas não esquece suas raízes na natureza, no verde, no campo". Não dizia nada sobre ser um emaranhado de gravetos pretos, em um saco dentro de uma caixa, sendo ambos, na minha interpretação, formas pejorativamente toscas de se utilizar da natureza, além de maltrata-la.
No fim da descrição, uma pergunta: "Matte tem esse ritmo. Qual é o seu?".
Em razão do impacto com a invasiva questão, parei de mastigar as princesinhas alfaces por alguns segundos. As engoli, e então pude responder para a caixa: "O meu ritmo é aquele que sai de casa para comprar cabides. Toma chuva para comprar cabides. Toma chuva para comprar cabides. E quando chega em casa, percebe que esqueceu de comprar a droga do cabide".
Será que se eu beber mais chá matte esquecerei menos coisas?

http://www.myspace.com/bielcoiso

3 comentários:

Alex Arbarotti disse...

Vou tomar um chá pra relaxar.

Anônimo disse...

se eu te entendi, se o chá matte é uma forma "pejorativamente tosca" de se utilizar a natureza, temperar um pé alface com vinagre e sal também pode ser.
mas certamente, se tormarmos a propaganda como modelo de vida, nos tornamos super-homens, somos o que quisermos ser (claro, somos o que podemos comprar no mercado).
pedro meinberg (com preguiça de fazer o login).

Iris disse...

talvez acabe tão desesperado com a memória que vai embora que comece a se perguntar se deve ir ao neurologista. que nem eu.