quinta-feira, 7 de maio de 2009

Observação Adulto

Quando cheguei a santa casa estava vazia, não esperei nem cinco minutos para ser atendido. Em um minuto de consulta não me foi dito o 'nome' da doença, apenas que tomaria um coquetel de anti térmicos, anti dores de cabeça, anti dores no corpo, anti tudo na veia. Após uma meia hora esperando, a agulha com um tubinho foi injetada em meu braço, cochilei, acordei sem dor e, quando percebi já havia acabado o líquido da bisnaga [o tal coquetel].
A sala em que eu estava se chamava "observação adulto", pensei 'bem, não precisarei chamar ninguém, eles estão me observando'. Engano. Ninguém me atendia, mesmo chamando os médicos e enfermeiros pelos nomes nos crachás, ninguém me olhava [será que a camiseta da "pavilhão 9" causou tal repulsa?]. Ninguém poderia me liberar, apenas a médica que me atendeu e que agora estava em outro setor.
A santa casa já estava cheia, já eram onze horas da manhã, fiquei vinte minutos tomando a medicação e mais de uma hora esperando para ser 'liberado'. Quando na verdade o que me angustiou foi estar lá, ocupando aquela poltrona enquanto a fila crescia e as crianças choravam.

http://www.myspace.com/bielcoiso

3 comentários:

pedro meinberg disse...

as coisas vão continuar assim enquanto o proletariado não fizer a revolução, superando essa ordem burguesa. médicos e técnologias existem, mas para alguns usarem, os mesmos que detém os meios de produção.

Iris disse...

A santa casa observa muito menos do que é observada. o problema é que observar sem fazer nada é nada.

Mi disse...

Fatalidades de se morar só: solidão.

É horrível ir pro hospital sem a mãe, não é?
Passei por isso e, juro, também no segundo ano...
Impressão a minha, ou parece que tudo tende a ficar pior e mais doído?

Fatalidades de se morar só.