quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Verticalidades insandecidas

Então deitei para dormir, já se passava das onze e meia da noite, no dia seguinte eu acordaria cedo, tomaria um banho, iria para a faculdade e apresentaria um "semi-seminário". Segunda-feira, pensei que não haveria barulho, festa e nem nada que atrapalhasse meu sono; pensei errado, esqueci que, agora, estou de volta à terra da anarquia (a mais pejorativa possível), em que a ausência de líderes (leia-se: pais) faz com que jovens, insandecidos em sua falsa liberdade, organizem uma festa, sem querer ser moralista, em plena segunda-feira!
Geograficamente localizados sobre a minha cabeça, reparei que algo ocorreria quando o interfone 'começou a não parar' de tocar e os versos "ado, ado cada um no seu quadrado" e "pega fogo cabaret" invadiram meu quarto, superando a porta fechada à chave, a janela de alumínio e o vidro desta.
Pensei (erroneamente, mais uma vez), que não iriam até muito tarde, uma ou duas da manhã, quem sabe. Foi até as quatro, e a minha noite de sono foi pro espaço. A minha e a de outras pessoas, pois ouvi alguém gritando "abaixa o som", e, curiosamente, a resposta (sobre minha cabeça!) foi um som mais alto e passos cada vez mais fortes, ora parecendo pulos, ora parecendo crianças batendo seus sapatos no chão, fazendo birrinha com os pais que lhes educam; talvez estes da festa não sofreram repreensões dos pais, e se tornaram estes vírus.
Por volta das duas e meia, quando percebi que aquilo iria longe, me sentei na cama e fiquei pensando na situação que eu estava vivendo, incomodado por não poder dormir, me ocupei de me incomodar com outras coisas, talvez "representações" daquelas atitudes.
Pois bem, na uma hora e meia que se seguiram pensei tantas coisas, que poderia passar a tarde inteira nesta página descrevendo que o maior incômodo que senti naquela madrugada não foi por não poder dormir, mas sim por existirem pessoas que, de seus ambientes privados, invadem os dos outros, que não se incomodam (e pelo aumentar do som conforme passavam-se as horas) parecem que se orgulham de não terem respeito por outros seres e que, reinam soberanos sobre estes outros, por possuirem um som potente.
Quando passei na faculdade e decidi me mudar para cá, não imaginei que me encontraria com tumores desta estirpe existindo estupidamente sobre a minha cabeça.
Ps: fui muito moralista e autoritário?
Ps2: mais do que aqueles que impedem o sono alheio?


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