terça-feira, 19 de agosto de 2008

Sobre a burocracia

Está no wikipédia (que não é deus, mas aqui serve): Burocracia é um conceito administrativo amplamente usado, caracterizado principalmente por um sistema hierárquico, com alta divisão de responsabilidade, onde seus membros executam invariavelmente regras e procedimentos padrões, como engrenagens de uma máquina. É também usado com sentido pejorativo, significando uma administração com muitas divisões, regras e procedimentos redundantes, desnecessárias ao funcionamento do sistema.
Uma terça-feira ensolarada, com a cabeça doendo, em razão das engrenagens de diversas máquinas (estatais, privadas; monopólios), que me fizeram vagar pelas ruas de uma cidade ainda desconhecida. Apenas para sanar algumas necessidades não tão necessárias, mas até importantes.
Vai e volta, pega ônibus, e pega outro, e cadê o documento? Autenticou a cópia? Sim, está autenticada, mas é o documento errado! Hoje não, vamos fechar, venha amanhã. "Senhor, quer que eu lhe traga uma cópia da certidão de nascimento da minha avó?", "Pois não?".
Parece que um vidro na vertical, um balcão, windows 98 e cadeira giratória fazem de qualquer homem ou mulher (para os quais "aqui" pode ser uma cidade há quilometros daqui) o rei supremo e majoritário, exercendo poder vitalício e intransferível sobre a população que existe dentro de mim.
Enfim, e para todos os fins, autentico aqui, após reconhecer e firmar, burocracia (pode ser necessária, ainda não estudei isso), mas enche o saco.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Sobre combinar com a limpeza

Domingo de sol, dia dos pais, como estou há 500 quilometros do meu e não teria de presenciar o famoso "almoço dos pais" (criticas e comentários sobre a data, dispensados), resolvi sair para fazer algo que sinto falta e que meu sangue pedia fervorosamente: colar cartazes lambe-lambe por ai. Cola preparada, rolinho e cartazes numa sacola, sai, bem acompanhado.
Colei, colei, colei, ah, senti tanta falta de chegar em casa raspando a cola das mãos, saudades de sentir o rolinho branco da cola deslizando sobre a superfície lisa de uma caixa da telefonica, saudades de acabar de colar um cartaz e, alguns segundos depois, passar um camburão e meu corpo congelar.
Enfim, hoje cedo, comentários sobre os cartazes colados choveram em mim, estranhamente, não me senti bem. Não é este o reconhecimento que espero e que, até certo ponto, sempre busquei com meus cartazes e adesivinhos.
Me questiono sobre como fazer arte pública (ou urbana) em uma cidade de interior, sem o desequilibrio e as "loucuras" de São Paulo. Colar algo lá e alguém ver e comentar comigo era tão raro, é difícil se destacar em meio àquela multidão de informações, vomitadas em nossos olhos. Por outro lado, se destacar nesta é uma "honra" impar. Enquanto que por aqui, nesta cidade tranquila, não há tanta poluição, nem muita publicidade, só agora estão brotando placas dos políticos por ai, mas nada que se compare à capital do estado.
Resta a pergunta: o Coiso combina com a limpeza?

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Verticalidades insandecidas

Então deitei para dormir, já se passava das onze e meia da noite, no dia seguinte eu acordaria cedo, tomaria um banho, iria para a faculdade e apresentaria um "semi-seminário". Segunda-feira, pensei que não haveria barulho, festa e nem nada que atrapalhasse meu sono; pensei errado, esqueci que, agora, estou de volta à terra da anarquia (a mais pejorativa possível), em que a ausência de líderes (leia-se: pais) faz com que jovens, insandecidos em sua falsa liberdade, organizem uma festa, sem querer ser moralista, em plena segunda-feira!
Geograficamente localizados sobre a minha cabeça, reparei que algo ocorreria quando o interfone 'começou a não parar' de tocar e os versos "ado, ado cada um no seu quadrado" e "pega fogo cabaret" invadiram meu quarto, superando a porta fechada à chave, a janela de alumínio e o vidro desta.
Pensei (erroneamente, mais uma vez), que não iriam até muito tarde, uma ou duas da manhã, quem sabe. Foi até as quatro, e a minha noite de sono foi pro espaço. A minha e a de outras pessoas, pois ouvi alguém gritando "abaixa o som", e, curiosamente, a resposta (sobre minha cabeça!) foi um som mais alto e passos cada vez mais fortes, ora parecendo pulos, ora parecendo crianças batendo seus sapatos no chão, fazendo birrinha com os pais que lhes educam; talvez estes da festa não sofreram repreensões dos pais, e se tornaram estes vírus.
Por volta das duas e meia, quando percebi que aquilo iria longe, me sentei na cama e fiquei pensando na situação que eu estava vivendo, incomodado por não poder dormir, me ocupei de me incomodar com outras coisas, talvez "representações" daquelas atitudes.
Pois bem, na uma hora e meia que se seguiram pensei tantas coisas, que poderia passar a tarde inteira nesta página descrevendo que o maior incômodo que senti naquela madrugada não foi por não poder dormir, mas sim por existirem pessoas que, de seus ambientes privados, invadem os dos outros, que não se incomodam (e pelo aumentar do som conforme passavam-se as horas) parecem que se orgulham de não terem respeito por outros seres e que, reinam soberanos sobre estes outros, por possuirem um som potente.
Quando passei na faculdade e decidi me mudar para cá, não imaginei que me encontraria com tumores desta estirpe existindo estupidamente sobre a minha cabeça.
Ps: fui muito moralista e autoritário?
Ps2: mais do que aqueles que impedem o sono alheio?


http://www.tramavirtual.com.br/coiso