segunda-feira, 21 de julho de 2008

Então baixei um cd do "Presto?", uma banda de hard core de São Paulo, que eu havia ouvido algumas vezes mas nunca parado para escutar de fato. Não sei o nome do cd ao certo, mas acho que é o primeiro deles, enfim, isto não importa, me interessa falar sobre uma das músicas do tal cd, a décima quinta exatamente, chamada "sua vida?", que dura precisos onze segundos, e é dotada de uma objetividade sublime e concreta.
Foi então que parei para pensar nesta definição que dei à banda (de objetiva) e me lembrei de uns versos escritos há alguns meses, quando tentei, mais uma vez, ouvir o "dark side of the moon", do Pink Floyd, para ver se, por fim, eu entenderia aquela música, o que não ocorreu.
Embora levemente agressivo em meus versos compreendo o que ocorre (e me incomoda tanto) com esse rock, modestamente, chamado de progressivo por seus idealizadores: a subjetividade, elemento que admiro e ainda estudarei muito nesta vida, aliado ao fato de uma música inacessível àqueles sem uma extensa formação musical, ou seja, só alcançam o progresso do rock aqueles que pagam anos e anos de aulas de instrumentos ou que dedicam suas vidas unicamente à desmembrar nota por nota tais instrumentos.
Aqueles sininhos, aquelas barulhinhos estranhos do Roger Waters e sua turma, caramba, são tão subjetivos que não se enquadram na minha concepção de música para degustar com um café, mas sim como uma expressão pessoal que encontra em algumas pessoas, ainda hoje em dia certa semelhança (fatos totalmente compreensíveis); mas mesmo assim, mantenho a critica presente em meus versos.
Por outro lado, toda música é subjetiva, até a do "presto?", que, em onze segundos (até inentendíveis), e talvez unicamente pelo título, leva-nos a pensar nossa subjetividade, afinal, é uma pergunta: "sua vida?".
Ps: a única música que gosto do "dark side of the moon" é "eclipse", a mais curta do álbum (exceto a abertura) e a única, na minha opinião, com começo, meio e fim, além de uma objetividade sonora.

Pro(re)gressivo

É progresso,
Ser atrasado?
E ainda atualmente,
Acreditar na inovação,
Daquela música?

Barulhinhos de relógio,
E de moedas,
E sons abstratos,
E uma nota é tocada,
E é mantida ali,
Por segundos,
Até que toquem,
Outra qualquer.

Tanto progresso,
Me faz dormir.

E solos intermináveis
Cheios de wah wah,
E phaser,
E tudo mais que for,
Limpo e sonolento,
Para dizer aos ouvidos,
“Olhe-me, ouça-me,
Eu sei tocar,
Note só rapaz,
Quanta técnica!”.

É progresso,
Ainda hoje acreditar,
No lado escuro da lua?

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