terça-feira, 29 de julho de 2008

Em São Paulo

Quando ficou claro que eu iria viver de "idas e vindas" por alguns anos, São Paulo - Interior, não consegui imaginar problemas (como é com quase tudo novo, que nós procuramos, e que dá certo), mas com o tempo, o lado pejorativo das coisas vai se aproximando e dançando em nossas vistas. É o que acontece hoje em dia.
Ao andar por aqui, ir até esquina, até a Barra Funda, até a Galeria, até a Augusta, a Vila Madalena, enfim, ao fazer aqueles trajetos tão conhecidos, me bate um gostinho de "poderia estar fazendo minha vida aqui tranquilamente". Ao ver aquele ônibus que me acompanhou por anos e poderia continuar a fazê-lo, todas as mudanças entram em xeque.
Isto não chegará em lugar nenhum, melhor calar os dedos e ir fazer minha mala.
Adeus São Paulo querida, da próxima vez te exploro melhor.
(perdões aos amigos que não vi, volto, ainda dolorido; vocês fazem falta, e eu poderia, ainda, estar fazendo minha vida com vocês).

http://www.tramavirtual.com.br/coiso

sábado, 26 de julho de 2008

Mastigando

Guardei para este fim de sábado, posterior às andanças semi-frustradas da sexta feira, alguns versos, escritos quando por esta cabeça se pensava: "e se eu começasse a escrever algo como poesias?".
E entendo multidão como alguém além de mim (exageros apenas, meu bem).

Fujo das pessoas,
Odeio aglomeração.
Pra que andar,
No meio da multidão?

Corro para o vazio,
Um lugar sem outro cidadão.
Pra que se exibir,
No meio da multidão?

Não gosto de muitas vozes,
Prefiro a solidão.
Pra que se expor,
No meio da multidão?

Fico em casa, trancado,
Sou eu e meu coração.
Pra que existir,
Como ponto na multidão?

http://www.tramavirtual.com.br/coiso
[músicas novas].

quarta-feira, 23 de julho de 2008

A parte e o todo

Estava eu ontem, lá pelas dez e meia da noite, esperando para ver o compacto do empate do corintias com o ceará, na redetv, e deixei a tv ligada neste canal mesmo, fiquei assistindo o fim do super 'superpop'. No rodapé da tela, escrito: "apresentador de tv ofereceu 80 mil para sair com moranguinho". Pensei: 'será aquela moranguinho dos desenhos infantis, que por meses assombrou os sonhos de um amigo meu?'. Fiquei assistindo o show (como dizem os americanos) para ver do que se tratava e, claro, esperando para ver meu coringão.
Não demorou muito eu entendi o que acontecia: moranguinho é, na verdade, a mulher morango, assim como existe a mulher melancia e a mulher melão. O entendimento me trouxe um leve sentimento de horrorização (nem sei se isso existe, mas foi o que senti).
Melancia, melão e morango nada mais são do que partes de um todo, uma peça maravilhosa, que é o corpo humano, e o que me horroriza é que seres inanimados nomeiem uma parte e, logo, desta parte, se faça o todo destas mulheres.
Estou sozinho neste barco de horror?

http://www.tramavirtual.com.br/coiso

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Então baixei um cd do "Presto?", uma banda de hard core de São Paulo, que eu havia ouvido algumas vezes mas nunca parado para escutar de fato. Não sei o nome do cd ao certo, mas acho que é o primeiro deles, enfim, isto não importa, me interessa falar sobre uma das músicas do tal cd, a décima quinta exatamente, chamada "sua vida?", que dura precisos onze segundos, e é dotada de uma objetividade sublime e concreta.
Foi então que parei para pensar nesta definição que dei à banda (de objetiva) e me lembrei de uns versos escritos há alguns meses, quando tentei, mais uma vez, ouvir o "dark side of the moon", do Pink Floyd, para ver se, por fim, eu entenderia aquela música, o que não ocorreu.
Embora levemente agressivo em meus versos compreendo o que ocorre (e me incomoda tanto) com esse rock, modestamente, chamado de progressivo por seus idealizadores: a subjetividade, elemento que admiro e ainda estudarei muito nesta vida, aliado ao fato de uma música inacessível àqueles sem uma extensa formação musical, ou seja, só alcançam o progresso do rock aqueles que pagam anos e anos de aulas de instrumentos ou que dedicam suas vidas unicamente à desmembrar nota por nota tais instrumentos.
Aqueles sininhos, aquelas barulhinhos estranhos do Roger Waters e sua turma, caramba, são tão subjetivos que não se enquadram na minha concepção de música para degustar com um café, mas sim como uma expressão pessoal que encontra em algumas pessoas, ainda hoje em dia certa semelhança (fatos totalmente compreensíveis); mas mesmo assim, mantenho a critica presente em meus versos.
Por outro lado, toda música é subjetiva, até a do "presto?", que, em onze segundos (até inentendíveis), e talvez unicamente pelo título, leva-nos a pensar nossa subjetividade, afinal, é uma pergunta: "sua vida?".
Ps: a única música que gosto do "dark side of the moon" é "eclipse", a mais curta do álbum (exceto a abertura) e a única, na minha opinião, com começo, meio e fim, além de uma objetividade sonora.

Pro(re)gressivo

É progresso,
Ser atrasado?
E ainda atualmente,
Acreditar na inovação,
Daquela música?

Barulhinhos de relógio,
E de moedas,
E sons abstratos,
E uma nota é tocada,
E é mantida ali,
Por segundos,
Até que toquem,
Outra qualquer.

Tanto progresso,
Me faz dormir.

E solos intermináveis
Cheios de wah wah,
E phaser,
E tudo mais que for,
Limpo e sonolento,
Para dizer aos ouvidos,
“Olhe-me, ouça-me,
Eu sei tocar,
Note só rapaz,
Quanta técnica!”.

É progresso,
Ainda hoje acreditar,
No lado escuro da lua?

terça-feira, 15 de julho de 2008

Mais um?

Segundo? Terceiro? Quarto?
Já nem sei mais quantos blogs abri e fechei, me lembro que no último eu escrevi logo na primeira postagem: "agora este blog eu levarei a sério e escreverei todos os dias", ah, palavras malufistas apenas.
Este aqui levarei a sério, de fato, dentro da minha proposta de levá-lo desta forma, que será, nada mais nada menos, do que escrever quando me der vontade, como me deu hoje, e eu não tinha aonde escrever.
Por fim, bem, para finalizar esta primeira (e ilustríssima) postagem, devo dizer: passou a vontade de escrever.