terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Meia-Noite.


Como era de se esperar, pela lógica do tempo socialmente construído, os festejos de virada de ano chegaram à virada do ano, e, precisamente a meia-noite, quando alguns fogos pipocavam no céu, e as pessoas se abraçavam mutuamente, o rapaz (eterno projeto de 'homem-adulto', até segunda ordem), possivelmente engasgado com um ovinho de codorna, começou a vomitar. Vomitar e vomitar. Vomitou por cerca de um minuto, talvez dois. 
Uma voz amplamente respeitável, exalada em parceria com um sorriso brejeiro e parceiro, comentou: "Coloca esse ano que passou para fora, rapaz". Pois era exatamente isso que acontecia. Ano praguejável, período desonroso, baderna pejorativa, meses repugnantes, semanas asquerosas, ocupações duvidosas. Tudo isso se foi, via gorfo, à meia-noite.
O sorriso mais lindo do mundo se abriu. Um ano se vai, outro começa, a vida prossegue. Que sorriso lindo, que abraço gostoso. 
Mais tarde outro rapaz, com auxílio de uma mangueira, fazia com que o vomito seguisse rumo à rua: "Desculpa ter vomitado no seu quintal", "Tudo bem, Reveion é pra essas coisas, o ano foi uma bosta, você tá se limpando".
"Cadê o Bom-bril?". Teve uma vez, mas isso já faz tempo (já se passaram dois Reveions) que me disse: "Toda virada de ano eu queimo um Bom-bril". Como assim? Seria uma piada? Seria uma metáfora para algum tipo de droga jovem que se queima por aí? Seria algum tipo de história? "Tá na minha mochila, mas é Assolan". Não. O assunto é concreto mesmo.
Tradições são reinventadas, rituais se complementam, se recriam. Elementos de um se juntam ao outro.  É bom passar por um momento ritual junto de pessoas que entendem das coisas da vida.

Reveion 2016-17.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Nada de nada.


A INCRÍVEL HISTÓRIA DO HOMEM QUE COMEÇOU O ANO SEM NADA (DE NADA) NO BOLSO.

(Mas essa história só fará sentido se você ler essa aqui: http://gabrielcoiso.blogspot.com.br/2016/12/um-e-sessenta.html )

O homem saiu de casa para os festejos de virada de ano (vulgo: "Reveion"). Em sua mochila alguns legumes, uma troca de roupas. Em uma sacola de pano, um par de chinelos e dez latas de cerveja - foi o que deu para comprar com os vinte reais que tinha em mãos no dia anterior, e, ainda, colocar créditos em seu bilhete único para chegar ao local do festejo. Bilhete único, inclusive, que guardou na carteira que guardou no bolso enquanto estava no primeiro trem que pegou no dia. Permaneceu alguns minutos em espera em uma grande estação central - cheia de caminhos, para diversos rumos e atendendo tanta gente. Após a espera, no trajeto rumo ao segundo trem do dia, no entanto, alguma coisa aconteceu. Antes, ainda, entre a espera e o trem, foram a um guichê que vende salgados, a carteira não saiu do bolso, mas estava lá (uma rápida tateada por cima do tecido confirmou a presença do volume). Ao se sentar em um dos bancos do trem, nova tateada no tecido e "Cadê minha carteira?". Não caiu no banco não caiu no trem não caiu no trilho não caiu na plataforma não caiu na escada não caiu no corredor de acesso não caiu no balcão de informações não caiu no outro corredor de acesso não caiu no guichê que vende salgados. Quer dizer, se caiu, alguém a subtraiu, mas não pareceu o caso. Certamente foi entre um corredor e outro, ali onde ocorre um afunilamento do fluxo de humanos, que algum das "esbarrões" entre corpos não foi tão acidental assim, e sim uma atitude proposital e bem calculada. Alguém "achou" uma carteira. Pobre deste alguém, que deve ter se julgado o mais esperto dos larapios, o mais malandro dos lacaios: não havia um centavo sequer dentre os cento e sessenta constatados no dia anterior, não havia cartão válido para conta bancária, apenas um quarto de dúzia de documentos de um Zé Ninguém sem um vintém para caso ocorresse de cair duro no chão. A verdade, no entanto, e por fim, é que o homem terminou um ano e começou o ano sem nada de nada em seus bolsos.


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Um e sessenta.


A INCRÍVEL HISTÓRIA DO HOMEM QUE  CHEGOU AO ÚLTIMO DIA DE 2016 COM APENAS UM REAL E SESSENTA CENTAVOS EM MÃOS.

No entanto, para contar a história sobre o último dia de 2016, e essa baixa quantia de dinheiro, é necessário retornarmos para o sétimo dia do segundo mês do ano anterior (vulgo, sete de fevereiro de 2015). Naquela data, sábado, anterior à semana que precedeu o final de semana do carnaval, o homem foi até uma agência bancária. Colocou o seu cartão em um dos caixas eletrônicos e estranhou, mas ignorou, quando, após digitar sua senha, surgiu na tela a informação de que a operação não poderia ser concluída. Trocou de caixa, sacou o dinheiro e vida que segue.
No entanto, e isso ficou sabendo alguns dias depois, como em uma ficção global, Doutor Albieri


estava escondido dentro, na verdade, em uma frente falsa naquele caixa eletrônico - escolhido aleatoriamente dentre os quinze da agência - e clonou o cartão do homem.
No entanto, para resolver o problema, explicaram a ele, não seriam necessários muitos procedimentos. Passado o susto, realmente parecia que a coisa seria simples: "Cancela isso daqui, cancela isso de lá, o dinheiro é reposto pelo banco, transferimos a conta para esta agência, lhe fornecemos um cartão novo, vida que segue".
No entanto, não são necessários muitos tropeços quando se lida com a burocracia multifragmentada de um megabanco polidividido por entre cidades estados gerentes funcionários caixas eletrônicos bocas de caixa envelopes de depósitos malotes de dinheiros frentes falsas carros fortes - "será necessário verificar as fotos feitas nos locais dos saques para verificar se não foi você mesmo quem fez os saques, levará dois dias a verificação, a gente te liga". 
No entanto, nesse intervalo, numa agência distante, há mais ou menos quinhentos quilômetros de distância, algum funcionário, aparentemente mais próximo da base da pirâmide burocrática fragmentada (que se assemelharia mais a um tangram ainda disforme), emitiu um novo cartão.
No entanto, como um mísero tropeço burocrático é suficiente para suspender os demais procedimentos, "Você tem de ir até essa agência, retirar esse cartão, e então transferir a conta", "A agência que está a quinhentos quilômetros?", "Isso", "E se não fizer isso?", "Bom, você pode continuar movimentando sua conta, mas apenas pela boca do caixa e com seu RG". Cansado dos tropicões burocráticos - diga-se de passagem, iniciados pois foi possível que instalassem uma frente falsa em um caixa eletrônico dentro duma agência hipervigiada (!!!) - emitiu apenas um "Ok", e vida que segue - com adicional de horas perdidas nas longas filas para saques diretamente na boca do caixa.
E então - sem "No entanto" desta vez - chegamos ao último dia do ano de 2016. A bem da verdade, ainda não chegamos ao último dia em si, porém, por algum tropicão burocrático - que, neste caso, pode ser tomado como "Alívio" para os trabalhadores do megabanco - as agências não abriram no penúltimo dia do ano, o último "Dia útil" de 2016. Sem ter como acessar a boca do caixa para sacar o seu suado dinheirinho, o homem sentou-se na escada da agência, em um cantinho com sombra, para pensar: "O que faço com os vinte reais que tenho na carteira?". Cerveja (para as festividades do último dia do ano) e créditos no cartão de transporte público (para chegar ao local das festividades). 
No entanto, chegou em casa e encontrou um real e sessenta centavos dentro de uma caneca plástica em que guarda quinquilharias na mesa de seu quarto, e passará o último dia de 2016 com apenas um real e sessenta centavos em mãos. 





quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Precisamos falar sobre a chuva.


Saí de casa com o intuito principal de realizar uma série de pequenas ações comerciais (típicas dessa época do ano) no centro de São Paulo. Carregava também o intuito coadjuvante de observar acontecimentos pelos meus trajetos e deles criar um texto - tanto que não me incomodei em ter de utilizar um bicicletário mais longínquo e caminhar por um relativamente longo trajeto. Tinha o temor de ser pego por uma avassaladora chuva (típica dessa época do ano) e, por fim de contas, a chuva se tornará o objeto do texto.


Ultimamente tenho tido uma onda de andar pela cidade e imaginar outras situações, permitam-me dizer, em "outras épocas". Parei para fotografar a silhueta das estátuas do Teatro Municipal quando uma garota indagou outra: "Quem foi o burro que escreveu 'Theatro' com 'TH' ali?". Mas isso não vem ao caso, vou escrever sobre a chuva.
Peguei a minha bicicleta no bicicletário da estação da Sé e escorreguei pelo centro até quase a Santa Cecília. Pararia, antes de seguir para casa, em uma loja que vende quadros para fotos. Foi ao sair da loja que me dei conta: "Vai cair uma chuva sui generis". Ventos, lixo girando pela rua, garota segurando a barra do vestido, morador de rua correndo atrás do papelão-colchão, céu "fechando" em nuvens carregadas. 
Foi ao alcançar novamente a Avenida São João (já próxima de seu fim) que me dei conta da iminência da tormenta que se anunciava. O céu em tom azul escuro, mesclado com um cinza chumbo, à leste, indicava que "iminente" era termo brando para o que ocorreria. No entanto, o céu azul claro e o fortíssimo vento que vinha da direção contrária (que fazia com que eu e mais dois ciclistas ficássemos em pé em nossas bicicletas para pedalarmos com força), davam alguma esperança de que a iminência da tormenta enfrentaria alguma concorrência.



Seguia na direção do céu aberto, contrário ao vento e de costas para o céu chuvaroso. De certa forma era bonito olhar para frente e ver o branco das nuvens e o azul claro do céu e, simultaneamente, em meu espelhinho retrovisor, ver as nuvens carregadas atrás de mim. Parecia uma perseguição, ou uma fuga - tomarei por fuga, visto que me senti fugindo da chuva tal qual Pierce Brosnan, Linda Hamilton & grande elenco fugiam da ira do vulcão.
Percorri a ciclovia debaixo do Minhocão com o pensamento fixo de que, caso o pé d'água desabasse, eu estaria protegido pela gigante minhoca de concreto. Não desabou, "Seguirei até a Barra Funda, quando chegar lá já estará chovendo e paro por ali". Passei pelo complexo de transportes da Barra Funda sendo tocado por alguns poucos pingos, que não foram suficientes para me fazer estacionar: "Dá para ir até o Sesc, lá paro e me protejo da chuva". 
NÃO FAÇA ISSO!
Foi o pensamento que tive - dessa forma mesmo, em letras garrafais - ao ver, já na Avenida Matarazzo, um letreiro digital num relógio de rua informar: "Zonas Norte, Oeste, Leste e Centro: atenção para alagamentos". Não seria o caso de parar  a mim e à bicicleta para esperar uma chuva de verão ocorrer e passar. O que se tinha por anúncio era, factualmente, a iminência da queda do céu sobre nossas cabeças (para citar os Gauleses).
A trilha sonora era composta por apavorantes trovões.
Comecei a pensar em Jesus. Havia uma comunidade (ou algo do gênero) de algum tipo de Cristianismo realizando atividades na Praça da Sé e na Praça do Patriarca (espaços que são interligados pela Rua Direita). Havia um grupo em cada praça realizando missas, pregações etc, e outro grupo realizando uma espécie de "Catequização Ambulante" por meio da Rua Direita: a percorriam em cantoria e com rápidas abordagens convidavam as pessoas a irem a alguma das praças para presenciar a missa ou o culto. Passei um bom tempo observando isso tudo (não seria exagero dizer que gastei bem uma meia hora nisso). Mas então, comecei a pensar em Jesus quando passei pelo Sesc e a tormenta ainda não havia desabado: "Jesus segura essa chuva pra mim, já estou quase em casa, só mais vinte minutinhos sem água, fiquei lá trinta minutos ouvindo os caras falarem de você, quebra essa pra nós vai". 
No Viaduto da Lapa o caos se mostrou irreversível. Por algum gracejo do destino um atípico helicóptero vermelho sobrevoava a região, e a tonalidade dele causava um contraste impactante com o céu de bruto azul marinho (quase roxo) que cobria aparentemente toda a cidade (exceto por aquelas paragens mais à oeste); parecia um morango malandro que rolou pelo chão do Ceagesp até chegar à festa das uvas; ou ainda um pequeno tomate cereja embalado confusamente em um vidro de azeitonas pretas enxutas macias saborosas importadas naquele mercado burguês. 
Cheguei ao outro lado do viaduto. Trânsito. Congestionamento. Buzinas agudas e graves apertadas à esmo. Um ônibus sanfonado atravessava toda a pista. Ofensas verbais pululavam às dezenas. Os semáforos estavam desligados. Veículos quase colidiam em uma pejorativa anarquia provocada pela ausência do vermelho, amarelo e verde - "apagou uma luz as pessoas não sabem como agir e quase se matam". O caos sempre pode ficar mais caótico quando se trata de São Paulo.
Ponte do Piqueri - "Segura essa chuva pra mim Jesus, só mais dez minutinhos". À minha direita, o Tietê mais poluído que cabeça de moleque adolescente machistinha, o céu de azul escuro com camadas de nanquim; à minha esquerda, o Tietê mais poluído que a ficha dos senadores golpistas, um sol de queimar a pele em ardência lancinante e fazer ela virar uma crosta dura e rígida para logo em seguida rachar, uma pequena clareira de céu azul claro (colocaram mais água do que aquarela nessa pincelada) e algumas nuvens de algodão alvejado. 
Venci a ponte e adentrei no bairro - Freguesia do Ó, meu pequeno oásis nesta cidade inescrupulosa - fui recepcionado de frente por ela, aquela massa cinzenta escura, concentração de água densa, "Não vai dar tempo, vai desabar a tormenta, vai cair o céu, o pé d'água vai correr por essas ruas e antes de tocar a rua vai encharcar o meu corpo, minha mochila e tudo que fui comprar no centro da cidade".


Não peguei chuva. Na verdade, a chuva não me pegou, e aqui no meu bairro não choveu. Talvez a chuva não fosse tão iminente quanto escrever um texto sobre ela - ainda que eu não tenha a vivido plenamente, apenas me apavorado em razão de sua iminência que não ocorreu, pelo menos para mim, mas dá para considerar que a vivi quando passei quarenta minutos pedalando e pensando nela e olhando para ela (embora ainda em outro estado físico que não o líquido

Com licença, o Gabriel às vezes fica na iminência de escrever textos sobre assuntos que martelam tanto a cabeça dele, que não sabe como acabá-los. Vim fazer isso por ele. Desculpem-me pelo inconveniente, mas nós precisávamos falar sobre a chuva, ainda que não tenhamos a vivido concreta ou liquidamente, apenas a visto enquanto formação densa e concentração abrupta de nuvens carregadas sobre uma parcela significativa da cidade de São Paulo no dia 20 de Dezembro de 2016 por volta das 16 horas.




segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

03:32/01:08.


03:32.
Tem noites que são absurdamente difíceis de dormir - há uma série de fatores que fazem-me "noctívago" - e dessa vez não foi diferente. Levantei e fui ao banheiro, sentar na privada e pensar. Pensar. Pensar. Não nego que houve alguns dias nos últimos dois meses que por alguns segundos passou pela minha cabeça a frase "se eu tiver que ficar em São Paulo pro ano que vem acho que não vai ser tão ruim assim". Mas é só por alguns segundos. Ontem ela passou também, no final de tarde quente, pós-chuva, pedalando, sorrindo, vendo sorriso, cidade vazia, clima agradável, cerveja gelada. À noite eu não dormia, pelos motivos de sempre: barulho na rua, barulho no portão, cachorro latindo, galo cantando (meu vizinho, faz uns dois meses, cuida de um galo que canta indiscriminadamente por todas as vinte e quatro horas do dia), passarinho gritando (meu pai, faz um mês, pegou na rua um passarinho que não tem uma das patas e agora ele mora numa gaiola no quintal), gritaria na cabeça. Sentei na privada para pensar e, realmente, seria um absurdo cogitar a hipótese, por livre e espontânea vontade, de ficar em São Paulo pro ano que vem. Comecei a escrever qualquer bobeira no celular, e vi que eram três e trinta e dois da manhã. 
Talvez esse dado seja irrelevante, mas gostaria de adicionar que apenas peguei no sono quase às cinco da manhã, após mais alguns acontecimentos na rua, dentre eles, uma abordagem policial a um rapaz que estava parado no ponto de ônibus.

01:08.
Parece que a cada passar de ano o que outrora foi uma situação consolidada de determinadas pessoas em um lugar se dissolve pelos espaços e as pessoas estão, cada vez mais, distantes daquele local específico e aquela situação configura-se, mais e mais, como mera fonte de lembranças. Reconheço apenas um e outro nome na lista que saiu hoje dos aprovados para a pós-graduação. Vi os nomes, vibrei com dois, sorri com outros dois, os demais vinte e cinco, não me dizem o menor respeito enquanto significantes de pessoas. Vi a lista, vi os nomes, lembrei-me dos rostos - e aí foi aquele mergulho incontrolável: lembrei das pessoas lembrei das vozes lembrei das pessoas e suas vozes descendo a rampa virando a esquerda antes do passo íngreme ser a tônica da rampa e indo para a biblioteca de toldo azul que protege da chuva e que tantas vezes foi ponto para encontros diversos entregas de bilhetes para o restaurante abraços papos rápidos o banco de cimento e a pequena clareira entre algumas árvores onde certa vez desabei ouvindo música e lá embaixo na rampa tem um prédio e antes tem outro prédio e entre eles tem também um prédio e em todos eles posso dizer que habitam memórias minhas e depois do prédio tem mais prédios e estacionamentos e pomares e mesas e bebedouros e quadra e até um marcadinho e não importa a nomeação ou uso do espaço posso te garantir que nele ali moram memórias minhas. Já faz um tempo parei de encará-las com o pesar da nostalgia saudosista, e me animo por saber que eles ainda são fontes de vivências para outrem, aqueles que conheço (ou não), e que optaram por seguir fazendo a vida por ali. Exatamente à uma e oito da manhã, quando me recordei da rampa, confesso que bateu em minha boca o sabor das saudades.
Talvez esse dado seja irrelevante, mas o gosto que tenho na boca mesmo é o de uma sopa semi pronta (espécie de tang quente e semisólido) que preparei na última sexta e ainda estava na geladeira e que comi instantes antes de ver as listas.